Fomento 2
Projetos públicos têm que ser de conhecimento público!
AQUILO QUE SOMOS E DE QUE ESQUECEMOS:
ISOLAMENTO E DESUMANIZAÇÃO NAS GRANDES CIDADES
PROJETO SELECIONADO PARA O
PROGRAMA MUNICIPAL DE FOMENTO AO
TEATRO PARA A CIDADE DE SÃO PAULO - 2004
V EDIÇÃO
APRESENTAÇÃO
A presente Proposta, apresentada ao Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, visa a expandir o Projeto de difusão do Teatro de Animação capitaneado pelo GRUPO SOBREVENTO e consolidar sua presença na Zona Leste da cidade. O SOBREVENTO pretende, por meio da delicadeza, singeleza e graça do Teatro de Bonecos, relembrar alguns valores e sentimentos que, por defesa, por desconfiança, por descuido, por costume, deixamos adormecer em algum lugar de nós.
Vivendo em condições difíceis, em ambientes hostis ao convívio social, boa parte (a maior parte) da população da periferia perde um sentido de identidade coletiva, isola-se em sua casa, endurece o seu espírito.
O Teatro de Bonecos traz uma lembrança boa de alguma coisa que muitas vezes nem mesmo vivemos, mas que temos a impressão de ter vivido. O Teatro de Bonecos nos recorda que, debaixo dos espinhos e da folhagem espessa que criamos, ainda vinga uma planta delicada e frágil que mal conhecemos e teima que não somos aquilo que nos tornamos.
OBJETIVOS
AQUILO QUE SOMOS E DE QUE ESQUECEMOS pretende enfrentar a questão do isolamento e da desumanização nas grandes cidades através de sua Arte, dos meios que domina, através de três frentes:
1 - OS FANTOCHES ESTÃO DE VOLTA:
Uma ação dirigida a espaços públicos da periferia, que dá prosseguimento à ação FANTOCHES NAS PRAÇAS, iniciada no âmbito do Projeto realizado pelo Grupo, graças ao Programa de Fomento ao Teatro, na edição de 2003. Aqui, o SOBREVENTO pretende levar um sopro de humanidade a alguns dos lugares mais hostis e desamparados da maior e mais pobre região da cidade, estimulando o Lazer comunitário e a retomada de espaços públicos da Zona Leste da cidade como espaços de convívio social.
2 - PARTIR-SE (nome provisório):
Uma ação que pretende levar a questão aos palcos por meio de um espetáculo que explore a técnica do Teatro de Objetos, uma técnica de animação praticamente inexplorada no país, provocando uma discussão sobre o tema do isolamento, dando-lhe visibilidade nos grandes meios de comunicação e onde a vista dos formadores de opinião alcança, ao mesmo tempo em que aprofunda e enriquece o próprio Teatro de Bonecos, desenvolvendo seus meios expressivos.
3 - MAIS QUE UM GRUPO:
Uma ação que pretende romper o próprio isolamento que o SOBREVENTO se impôs e vivia. Aqui, pretende-se consolidar a transformação que o Grupo vem sofrendo em sua estrutura e que transforma, natural e paulatinamente, o Grupo pequeno, familiar, fechado, em um centro de formação e difusão do Teatro de Animação, mantendo intocada, porém, a própria essência do Grupo: o trabalho artesanal e meticuloso e a pesquisa avançada, profunda, do Teatro de Animação.
A pesquisa do tema do isolamento e da desumanização nas grandes cidades, realizada por um período de um ano, permitirá desenvolver o Projeto Artístico do SOBREVENTO - um dos maiores especialistas brasileiros em Teatro de Animação -, ao mesmo tempo em que aprofundar suas preocupações com o compromisso social de sua Arte, viabilizando:
- o aprofundamento de suas pesquisas estéticas (no seu campo, mundialmente entre as mais avançadas), levando aos palcos o tema da desumanização, da alienação, da incomunicabilidade, do vazio existencial, cruzando-o com técnicas do Teatro de Objetos;
- a ampliação do repertório do Teatro de Animação destinado ao público adulto, praticamente inexistente na cidade de São Paulo;
- a difusão do Teatro de Objetos no país, uma técnica de animação praticamente inexplorada no país;
- a multiplicação do pensamento e fazer estéticos do Grupo;
- a consolidação do papel formador e multiplicador do SOBREVENTO no campo do Teatro de Animação, ratificando a transformação natural do Grupo em um Núcleo Formador e Difusor, a exemplo de Grupos como o Giramundo (MG), o Mamulengo Só-Riso (PE) e o Centro Animações (PR), para citar apenas Grupos brasileiros;
- o aperfeiçoamento da nova estrutura do SOBREVENTO menos fechada, mais plural, mais coletiva e mais pública;
- a reafirmação do Teatro de Bonecos como um ofício para jovens de baixa renda formados pelo SOBREVENTO na edição de 2003 do Programa de Fomento ao Teatro;
- o aprofundamento da formação dos 23 jovens bonequeiros formados pelo SOBREVENTO e incorporados às ações do Grupo;
- a dinamização de espaços culturais públicos e instituições sociais da Zona Leste;
- o estreitamento da ligação do Grupo com a Zona Leste da cidade;
- a recuperação de praças e parques da periferia da Zona Leste como lugar de Lazer familiar, através de um entretenimento comunitário e cultural, em prol de um ambiente menos hostil ao convívio social em regiões-dormitório;
- a facilitação do acesso à Cultura a populações de algumas das áreas mais pobres e mais afastadas do Centro, com baixíssimo padrão de vida, que não dispõem de recursos para sair de suas casas nos fins-de-semana e que, muitas vezes, não dispõem nem mesmo de locais que possam estimular ou abrigar o convívio comunitário.
PARA ATINGIR ESTES OBJETIVOS
Através do Projeto AQUILO QUE SOMOS E DE QUE ESQUECEMOS, o SOBREVENTO pretende realizar:
- 108 apresentações gratuitas de 6 espetáculos diferentes em 18 praças da Zona Leste da cidade (mapeadas pelo SOBREVENTO e onde não há equipamentos culturais por perto), organizando mini-festivais de seis semanas em cada uma delas, com a continuação do Projeto FANTOCHES NAS PRAÇAS, iniciado com o Programa de Fomento ao Teatro na edição de 2003;
- pesquisa, criação, ensaios e produção de um novo espetáculo do SOBREVENTO, que traz aos palcos o tema da desumanização nas grandes cidades, explorando técnicas do Teatro de Objetos, uma linguagem praticamente inexplorada no país;
- 24 apresentações, a preços populares, durante dois meses de temporada, do espetáculo resultante desta pesquisa, que tem o nome provisório de PARTIR-SE;
- transformação da sede do SOBREVENTO em centro multiplicador, difusor e formador, de apoio à pesquisa e à produção do Teatro de Animação, com disponibilização de acervo especializado de documentos, livros, vídeos e imagens digitalizadas para a consulta, bem como de espaço de ensaio e armazenamento de material e de estrutura de máquinas e ferramentas para a construção e a manutenção de bonecos e cenários para os seis novos grupos de marionetistas egressados das oficinas do SOBREVENTO e incorporados às ações do Grupo;
- oferecimento de supervisão e consultoria técnica especializada gratuita a interessados, que desenvolvam projetos ligados ao Teatro de Animação, na sede do SOBREVENTO;
- oferecimento de estágios a jovens marionetistas no processo de criação do novo espetáculo do SOBREVENTO;
- viabilização de apresentações remuneradas - sempre sob a supervisão técnica e artística do Grupo - para os novos grupos de marionetistas egressados de Oficinas do SOBREVENTO, incentivando a sua profissionalização;
- criação de condições de apresentação dos novos marionetistas pela Zona Leste, dinamizando espaços culturais e instituições sociais, buscando infundir-lhes um pensamento ético e um compromisso social com a sua região;
- provocação de debate sobre o tema do isolamento, da alienação das pessoas como busca de proteção em ambientes hostis, e sua relação com a diminuição de espaços de convívio social, com a desintegração do conceito de comunidade, entre os vários temas que fundamentam este Projeto, através de entrevistas, publicação de artigos e realização de debates, vinculados à pesquisa, à produção e à apresentação do novo espetáculo e das apresentações de Teatro de Fantoches nas praças.
JUSTIFICATIVAS
DE ONDE NASCE ESTE PROJETO
Durante doze meses, o GRUPO SOBREVENTO desenvolveu um Projeto de consolidação da sua produção e de difusão do Teatro de Bonecos na Zona Leste da cidade, levando à região apresentações de espetáculos de seu repertório, uma exposição e cursos de iniciação a dez bairros, formando jovens bonequeiros em Oficinas de Aprofundamento, montando espetáculos com estes jovens e circulando com um mini-festival de Teatro de Fantoches por parques e praças da periferia de São Paulo.
Muita coisa mudou no SOBREVENTO, depois desta experiência. O Grupo estreitou sua relação com a Zona Leste da cidade, viu-se transformado de um pequeno Grupo em um centro de formação e difusão de Teatro de Bonecos e aprofundou sua percepção do papel humanizador que a Arte, e mais particularmente o Teatro de Bonecos, pode desempenhar em regiões pobres e desassistidas.
O SOBREVENTO, completando 18 anos de fundação, reflete sobre o isolamento, sobre a perda de uma identidade coletiva, sobre o desaparecimento de espaços de convívio social, sobre o descaso com o relacionamento comunitário, sobre o próprio empobrecimento do conceito de comunidade, sobre a desconsideração com o Lazer, a Arte e a Cultura - vistos como supérfluos -, onde e quando tudo o que une uma coletividade é uma grande urgência de recursos materiais.
Acreditando na capacidade transformadora do Teatro de Bonecos, o SOBREVENTO - agora sete vezes maior, incorporando 23 novos bonequeiros a suas ações - propõe uma ação direta em alguns dos bairros mais desassistidos da cidade e a provocação de uma discussão destas questões, através dos recursos expressivos, da função emotiva e do poder congregador da Arte que o Grupo domina como poucos no mundo.
OS FUNDAMENTOS DESTE PROJETO
Na periferia de São Paulo, em regiões de crescimento desordenado, não há espaços livres e comuns. Em cada brecha, surge uma nova casa, um novo barraco. Onde se ordena o crescimento, nas regiões pobres e periféricas, enfileiram-se prédios como se enfileiram pedras de dominó. Esquece-se a importância dos espaços de convívio social. Áreas comuns restringem-se a estacionamentos. Na periferia, quase não há praças, quase não há parques. Onde as praças e os parques não desaparecem, viram redutos de delinqüentes e desocupados, por falta de equipamentos, de atividades, de programação, fazendo com que se chegue a ponto de considerar o Lazer, de direito de todos, um vício. Não por acaso, botequins e igrejas proliferam onde faltam outros espaços de convívio comunitário.
Nestes lugares desassistidos, muito distantes do Centro e de regiões nobres da cidade, o cidadão, cansado, sem dinheiro ou ânimo suficientes para deixar sua área no fim-de-semana, isola-se em sua casa. Busca refúgio, defesa, encerrando-se, com a família, no espaço restrito por suas paredes. Sem espaço para atividades comunitárias, para comungar atividades de Lazer com vizinhos, sua vida fora do trabalho passa a ser porta adentro e, não por acaso, seu Lazer limita-se ao que a televisão oferece. Assim, o indivíduo vai perdendo uma identidade coletiva: não se identifica com o espaço que habita e idéias como a de “seu lugar”, “seu bairro”, “sua área” deixam de fazer sentido. O indivíduo não se reconhece como membro de uma comunidade, muitas vezes nem mesmo no âmbito do condomínio em que mora. Entender-se como membro de uma coletividade, reconhecer-se como parte de um grupo e formar uma identidade relacionada ao espaço em que mora, que partilha com vizinhos, ajuda a construir um sentido de parceria, de fraternidade e, até mesmo, de responsabilidade social. No mínimo, dá um sentimento de integração e de conforto.
É certo que atividades de Lazer e Culturais realizadas em regiões centrais da cidade não são eficazes nem mesmo como paliativos para estes problemas, dado que as comunidades pobres da periferia não só não têm possibilidade de acesso a elas como também, na maior parte das vezes, nem mesmo têm a percepção da diferença que estas atividades podem fazer em sua qualidade de vida. Estes paliativos revelam-se ainda pior aplicados quando, em ações voltadas para grupos, confunde-se coletividade com massa. Apresentar espetáculos de fantoches em praças e parques da Zona Leste nos trouxe a clara impressão de que uma atividade voltada especificamente para uma comunidade parece atender-lhe melhor que atividades dirigidas a um público mais amplo e genérico, como no caso da realização de mega-atividades culturais em grandes espaços de regiões centrais da cidade.
O SOBREVENTO acredita que é preciso melhorar a qualidade de vida da vizinhança, do bairro do cidadão. É preciso que haja espaços de convivência. É preciso estimular o encontro entre vizinhos, entre famílias, entre crianças, fora do horário de trabalho ou de escola e fora dos ambientes dos botequins e das igrejas. E acredita no potencial do Teatro de Bonecos para deflagrar este processo.
Tendo levado Fantoches a muitos bairros da periferia da Zona Leste, o SOBREVENTO percebeu que a criança que, em um dia, via, surpresa, o Teatro de Bonecos, no outro, levava o pai, a mãe, à praça para assistir, com eles, ao novo espetáculo. Do mesmo modo, mães, de bairros distantes do centro, levavam suas crianças e, às vezes, “crianças postiças”, para assistir ao Teatro de Bonecos que haviam descoberto. E os espetáculos contavam com a simpatia e o apoio do comércio local e dos vizinhos. E não só com o respeito, mas também com a atenção, dos freqüentadores mais esquerdos dos espaços. E a praça voltava a ser aquela praça de antigamente. Isto, quando, na verdade, muitos nem vivemos este antigamente, nunca nem vimos uma praça assim: uma praça que congregue os vizinhos, que reúna as famílias, em um ambiente sadio, não excludente, divertido, provocador, emocionante, aberto, ao ar livre, gratuito. Melhorando definitivamente, por pouco que seja, a qualidade de vida de uma população.
O Teatro de Bonecos tem uma particular capacidade de desarmar espíritos prevenidos, corações duros, cabeças preconceituosas, com uma singeleza, uma delicadeza e, ao mesmo tempo, uma sem-cerimônia, que poucas outras coisas no mundo se permitem. E, por seu caráter artesanal, é comprovadamente capaz de provocar uma sensação de amparo, de atendimento, de direcionamento especial, por ser realizado por um pequeno grupo de Teatro que se interessou por aquela comunidade, por aquele bairro, e que tomou uma atitude direta e pessoal, fomentado, apoiado, mas não mandado pela Prefeitura.
O SOBREVENTO crê que o Lazer comunitário, de um modo geral, promove o encontro entre vizinhos, cria amigos, une a família, une famílias. Crê, também, que o Lazer ao ar livre, em particular, melhora a qualidade de vida, melhora a saúde, melhora a pele, melhora o ânimo, azulados pela luz do televisor. E crê que a Cultura, e os bonecos, alimentam o espírito: os bonecos estão para o coração como o pão para o estômago, disse Peter Schumann, um outro bonequeiro. Pela emoção, os bonecos podem fazer com que alguém se perceba diferente do que costuma perceber-se, podem fazer com que as pessoas descubram-se diferentes daquilo que fizeram de si. É fácil, para um bonequeiro, perceber isto: ver um homem discutindo com um boneco, ver uma mãe-de-família chamando uma boneca de assanhada, ver os espectadores aplaudindo o castigo que o malandro sofre da velha a quem havia enganado, debochando do diabo que foi posto para dançar funk, rindo das indefectíveis pauladas que zombam das atitudes “politicamente corretas” são, para nós, a prova definitiva de que boneco é boneco, de que o Teatro está vivo como sempre e de que a gente precisa mesmo dele.
AS AÇÕES, UMA A UMA
1 - PARTIR-SE
O novo espetáculo do Grupo reafirma a preocupação do SOBREVENTO em aprofundar o seu trabalho artístico, firmado na experimentação, na inovação. O SOBREVENTO quer explorar, de forma profunda, através dos meios expressivos que sua Arte lhe garante, o tema deste Projeto, nascido do trabalho desenvolvido pelo Grupo na Zona Leste da cidade e que, hoje, é o objeto maior de sua preocupação e reflexão. Quer provocar uma discussão sobre o tema do isolamento e da desumanização nas grandes cidades, chamando a atenção do público para a questão em um espetáculo inovador, pungente, vigoroso, e reverberando-a, também, em debates, entrevistas, publicação de artigos, mas sobretudo nas outras ações que constituem este Projeto: as ações OS FANTOCHES ESTÃO DE VOLTA e MAIS QUE UM GRUPO.
TEATRO DE BONECOS TAMBÉM É PARA ADULTOS
O Teatro de Animação moderno é uma ampliação dos
limites que o senso-comum estabeleceu, preconceituosa e erroneamente, para o
Teatro de Bonecos. Espalhado por todas as épocas e por todos os lugares do
mundo, o Teatro de Animação funde linguagens cênicas, mistura modernidade e
tradição, mistura erudição e popularidade, tem como palco qualquer espaço e tem
por alvo públicos de todas as idades e grupos sociais, um de cada vez ou todos
de uma só vez. Em São Paulo, no entanto, vemos poucos espetáculos que exploram
a linguagem do Teatro de Animação para adultos, por sua inviabilidade econômica,
o que, muitas vezes, não acontece quando o Teatro de Animação se dirige ao
público infantil. O SOBREVENTO é um dos poucos Grupos de Teatro de Animação do
Brasil que se têm dedicado ao público adulto e, sempre, com grande profundidade
e êxito. Com diferentes técnicas de animação, montou os espetáculos SUBMUNDO,
UBU!, O THEATRO DE BRINQUEDO, BECKETT (este espetáculo, só para citar um
exemplo, foi apresentado com grande êxito no Festival Internacional de Artes de
Dublin, na Irlanda; no Festival Beckett 2000 – supervisionado pela família do
próprio Beckett, na Escócia; no Festival de Outono de Madri na Espanha; no
Festival Latino-Americano de Teatro, no Teatro Cervantes, na Argentina, entre
muitos outros Festivais).
TEATRO DE BONECOS PODE NÃO TER BONECOS
O termo Teatro de Animação costuma ser preferido
pelo SOBREVENTO, como por outros Grupos que se dedicam ao Teatro de Bonecos
moderno, por ampliar os limites que o termo bonecos pode dar à sua Arte: o
trabalho com máscaras, com objetos prontos, com objetos encontrados, com formas
abstratas não pertence precisamente ao campo do Teatro de Bonecos, entendido em
um sentido estreito. O Teatro de Objetos, feito a partir de bules, xícaras,
pentes, chaves ou quaisquer objetos, é uma técnica de animação não ortodoxa que
tem sido alvo da atenção e estudos do SOBREVENTO. O SOBREVENTO interessa-se
também pela pesquisa do Teatro mecânico, feito a partir de mecanismos que
aproximam bonecos e brinquedos ou autômatas. O Teatro de Brinquedo, ou Teatro
de Papel (onde os bonecos são figurinhas bidimensionais, de papel e,
tradicionalmente, apresentam-se em uma maquete de teatro) é outra técnica que
pode ser aproximada do Teatro de Objetos e também pertence ao campo das
pesquisas mais recentes do Grupo e que deverão ser combinadas ao tema de
PARTIR-SE, seu próximo espetáculo. Explorando as fronteiras do que se conhece
por Teatro de Animação, o SOBREVENTO pretende desenvolver os recursos expressivos
de sua Arte e aperfeiçoar sua forma de comunicação com o público
A PESQUISA DO NOVO ESPETÁCULO
PARTIR-SE deverá nascer como praticamente todos os
espetáculos do SOBREVENTO. O Grupo organiza grupos de estudo, coordena leituras
e apresentação de relatos de seus membros, convida palestrantes que colaborem
com o processo de pesquisa, não só no campo da questão a ser abordada, mas
também no campo estético. Teoria, dramaturgia, encenação, técnica, tudo termina
misturando-se no período de fundamentação do espetáculo. Resultam daí pequenos
quadros, pequenas improvisações, que servirão de base para a estrutura
dramatúrgica e plástica da encenação (que não precisa ser fragmentada e pode,
até mesmo, ligar-se a textos prontos). A equipe de artistas que criará o
espetáculo é chamada, então, a incorporar-se ao trabalho de pesquisa e a
montagem é realizada de forma integrada e coletiva, com cada artista
contribuindo não só no campo de sua especialidade, mas também na construção da concepção
geral do espetáculo. É daí que o Grupo acredita que nasça a integração de todos
os elementos e de todos os integrantes do espetáculo. Segue-se, então, um
período de aprimoramento, aperfeiçoamento, descarte, reelaboração, limpeza, que
termina por absorver o grupo total e integralmente, impedindo-o de desenvolver
outras atividades, como a apresentação dos espetáculos de seu repertório,
realização de viagens e cursos e participação em eventos.
OFERECIMENTO DE ESTÁGIOS
Pela primeira vez, o SOBREVENTO vê-se em condições
de oferecer estágios durante todo o processo de produção. Muitas vezes o Grupo
recebeu assistentes cujo trabalho restringia-se a uma única parte do processo:
assistentes de iluminação, confecção, figurino, cenário, dramaturgia. Desta vez,
o Grupo vê-se em condições de receber participantes em diferentes etapas do
processo, oferecendo, inclusive, orientações aos estagiários e integrando-os
como colaboradores. O SOBREVENTO é procurado, constantemente, por jovens
interessados em acompanhar o seu trabalho e um processo de criação e conta,
ainda, com um grande número de ex-alunos que procuram aproximar-se e
integrar-se ao Grupo, que, somente agora, possui estrutura e maturidade para
atender a esta demanda.
EM QUE PÉ ESTÁ O TRABALHO
Definidas as questões de base, temáticas e
técnicas, o SOBREVENTO passa a aprofundá-las, tanto através de seus grupos de
estudo, quanto através das próprias ações que realiza na primeira fase de seu
trabalho. Assim, a frente OS FANTOCHES ESTÃO DE VOLTA deverá fornecer material
para a própria criação do novo espetáculo. Foi uma ação na Zona Leste que
motivou as reflexões que embasam este Projeto e conhecer melhor a realidade de
seus moradores deverá trazer ainda mais elementos para o desenvolvimento de
PARTIR-SE. O Grupo pretende atuar em várias comunidades e integrar-se a
reuniões de conselhos de bairros, estabelecer parcerias com instituições
locais, integrando-se, ainda mais às comunidades da região, trabalho que vem
desenvolvendo desde o ano passado, no Projeto CONSOLIDANDO A PRODUÇÂO DO
SOBREVENTO, contemplado pelo PROGRAMA DE FOMENTO AO TEATRO. De fato, o
SOBREVENTO, pode estar em vários lugares, ao mesmo tempo, agora que se
vê multiplicado, tendo incorporado às
suas ações 23 jovens marionetistas que formou: todos oriundos justamente da
Zona Leste e moradores da região. Quanto às técnicas de animação a serem
empregadas, o trabalho de pesquisa do Grupo vem-se aproximando, há cinco anos, do Teatro de Objetos e do Teatro mecânico. As
conclusões desta pesquisa do SOBREVENTO vêm sendo apresentadas em palestras, em cursos, em uma exposição que realizou
no ano passado, em dois espetáculos do Grupo e em um espetáculo de um terceiro
grupo, dirigido por Sandra Vargas.
O QUE SERÁ ESTE ESPETÁCULO
Pessoas com sonhos, com sentimentos, com desejos,
isoladas em seus mundos, encerradas entre quatro paredes. Todo um mundo de
possibilidades que não se realizam e não se realizarão jamais, sem o contato
com os outros, sem ações tomadas em comum. O que podia ser feito e não o será. Privados
de meios, de recursos, sobram poucas escolhas. Como fazer alguma coisa? A fuga
de um ambiente hostil, em que o indivíduo não se reconhece. A busca de
identificação com valores impostos, estrangeiros a si, como forma de
auto-conhecimento e de auto-aceitação. O que se poderia ser e não se é. O que
somos e no que nos transformamos. Arrastados por uma corrente, temos que seguir
em uma mesma direção e em um mesmo sentido, com um pensamento único, sem
discordância, sem escolha. De repente, alguma coisa pode nos lembrar que isto
não é assim, não deveria ser assim e não precisa ser assim. Poderemos voltar a
ser o que somos e que nunca fomos?
2 - OS FANTOCHES ESTÃO DE VOLTA
Esta ação pretende levar 3 mini-festivais de Teatro de Fantoches, durante 18 semanas, a 18 praças e parques da Zona Leste, a região mais populosa e mais pobre da cidade, região onde o próprio SOBREVENTO está sediado há quatro anos. O SOBREVENTO pretende levar seis espetáculos de seis grupos que dirigiu e formou a um grupo de seis praças. Os Grupos apresentam-se sempre em um mesmo dia da semana (sábado, por exemplo), em um mesmo horário (11horas da manhã, por exemplo) e revezam-se, a cada semana, até completar as seis praças. Assim, um morador da vizinhança de uma certa praça pode assistir a seis espetáculos diferentes, em seis fins-de-semana consecutivos. Terminado o ciclo, começa-se o mesmo evento em um novo grupo de seis praças, até que se concluam 3 mini-festivais, totalizando 108 apresentações.
ISTO É VIÁVEL?
Isto é viável. A ação já foi testada: dá
prosseguimento e amplia a frente FANTOCHES NAS PRAÇAS, tocada entre janeiro e
junho de 2004, como parte do Projeto CONSLIDANDO A PRODUÇÂO DO SOBREVENTO,
beneficiado pelo PROGRAMA DE FOMENTO AO TEATRO, finalizado em junho de 2004. A ação formou seis novos grupos de
Teatro de Bonecos, com jovens da Zona Leste de São Paulo, em uma Oficina de
mais de quatro meses de duração, com 20 horas semanais. Na oficina, os alunos
aprenderam da confecção à dramaturgia e
à manipulação, o que resultou na criação de seis espetáculos supervisionados
pelo SOBREVENTO. O Projeto deu origem a um mini-Festival, que foi apresentado
simultaneamente em seis praças e parques da Zona Leste. Ao todo, foram realizadas 36
apresentações que pretendiam, ao mesmo tempo, recuperar o ofício de bonequeiro
de rua e levar Lazer e Cultura a alguns dos bairros mais desatendidos da
cidade.
PORQUE CIRCULAR PELAS PRAÇAS
O SOBREVENTO tem clara a dificuldade financeira da população dos bairros da Zona Leste com
os quais lidou direta e profundamente durante um ano. O custo do transporte, o
custo do Lazer, o cansaço no fim-de-semana, a falta de espaços comunitários e
de atividades de Lazer tornam a vida mais difícil e mais desumana na região. O
Lazer que incentiva a convivência e a integração familiares, que transforma a
vida em algo mais do que trabalho e sobrevivência, que transforma o lugar em
que se mora em seu bairro, parecem muito longe da Zona Leste, sobretudo de suas
regiões mais pobres e mais afastadas do Centro. As praças, as poucas praças da
região, têm como vocação ser um local de reunião, de congregação, de Lazer
comunitário e, no entanto, desprovidas de equipamentos e de programação,
terminam por transformar-se em um lugar ermo, hostil, quando não perigoso. Foi
pensando nisto que o SOBREVENTO dirigiu suas ações para as praças públicas, visando a levar a elas o Teatro de
Bonecos, como opção de Lazer Cultural e entretenimento de qualidade e como
fator de congregação da população local.
O SOBREVENTO acredita no papel humanizador da Arte e vê os Fantoches como um sopro de humanidade, como a possibilidade de oferecer algum conforto aos moradores de algumas das regiões mais hostis e desamparadas da cidade. O conforto, o SOBREVENTO acredita que possa nascer não só do oferecimento de um Lazer comunitário e agregador, que crie uma relação afetiva do cidadão com o local que habita, mas também da própria função emotiva, do potencial catártico, do Teatro de Bonecos.
PORQUE TEATRO DE FANTOCHES
A poesia, o humor e a delicadeza do Teatro de
Fantoches, uma Arte tão ingênua e singela, parecem contrastar de maneira quase
chocante com o ambiente hostil da periferia. Sua vitalidade, porém, mostra o
poder congregador de uma Arte que relembra valores que pareciam perdidos, em
tempos de muita vaidade, muito egoísmo, muito ruído, muita velocidade e pouco
sentido crítico. Em um tempo em que valores que há pouco eram considerados
doentios são considerados virtudes (ser ambicioso, por exemplo, não era um
defeito de caráter?), os fantoches nos lembram de alguma coisa que perdemos sem
nos dar conta, nos ajuda a colocar as coisas nos seus devidos lugares, como
ainda gostaríamos que fossem, porque o cinismo não venceu nada além de uma
batalha. Os fantoches trazem as famílias de volta às praças, promove o encontro
dos vizinhos, reúne os moradores da periferia em outro lugar que não a igreja e
o botequim, os únicos lugares a possibilitar o convívio social na região. E a
população recebe a iniciativa com simpatia e, mesmo, com gratidão e restaura,
nas praças e parques da periferia, um clima que já não
se via.
A RESPOSTA DO PÚBLICO
Esta população aceitou e recebeu o projeto de forma
entusiasmada e até mesmo agradecida. O SOBREVENTO
colheu depoimentos e o que sempre ouviu dos moradores da periferia foi que sentiam
esquecidas as regiões em que moram, que faltam atividades para suas famílias e
que para eles é impensável dirigir-se ao centro da cidade nos fins-de-semana.
Em todos as praças, o projeto foi cativando cada vez mais público, o que nos
deixou certos de que a iniciativa não deveria acabar. Permitir o acesso de
todos ao Lazer e à Cultura é um dever do Estado e um desejo de todo artista.
AMPLIANDO UMA INICIATIVA QUE DEU CERTO
Na ação OS FANTOCHES ESTÃO DE VOLTA, o SOBREVENTO pretende triplicar o número
de praças e parques contemplados com o Projeto FANTOCHES NAS PRAÇAS,
aproveitando o entusiasmo, a garra e o engajamento dos jovens formados em suas
Oficinas e que hoje se incorporam ao SOBREVENTO. O SOBREVENTO pretende
espalhar-se pela Zona Leste da cidade de forma ainda mais eficaz, multiplicando
suas ações, ocupando mais espaços, oferecendo mais Cultura e Entretenimento a
uma população de baixa renda, com nenhum acesso a atividades de Lazer,
estabelecidas principalmente no Centro e em regiões mais abastadas da cidade.
Mas é, logicamente, na periferia que o projeto OS FANTOCHES ESTÃO DE VOLTA tem
que estar. Na mesma periferia pobre e desassistida que torna a iniciativa
financeiramente inviável, que não dá “nem visibilidade nem mídia”, mas que
quer, que preza, que precisa e que merece o Projeto (nos chapéus passados ao
final das apresentações, os grupos recolheram muitas moedas de cinco e dez
centavos, flores, balas, pães, doces, pastéis, uma borracha de panela de
pressão, provando que o público de crianças, ambulantes, famílias, mesmo sem
dinheiro no bolso, acha que os artistas merecem uma retribuição).
ONDE APRESENTAR
As praças são escolhidas por todos os envolvidos na
ação, SOBREVENTO e grupos, que, por serem todos moradores da Zona Leste, conhecem
muito bem a região e são capazes de perceber onde o Projeto faz-se mais
necessário e onde pode atingir, de forma mais eficaz, os objetivos que se
propõe. As decisões são amparadas por consultas a Subprefeituras, Associações
de Moradores, Conselhos de Bairro, ONGs, instituições de âmbito local, escolas e moradores das vizinhanças das praças ou
parques cogitados. Com a ação FANTOCHES NAS PRAÇAS, realizada anteriormente,
seis espetáculos de fantoches apresentam-se no Parque do Carmo (Cidade Líder),
Calçadão da Rua Serra Dourada (São Miguel Paulista), Parque Chácara das Flores
(Guaianazes), Parque Chico Mendes (Itaim Paulista), Praça Sampaio Vidal (Vila
Formosa), Parque Raul Seixas (Itaquera). Concluiu-se que, para os objetivos
visados, pequenas praças de bairros e parques terminavam por ser preferíveis a
espaços de passagem (como no caso do Calçadão). O Grupo ainda discute a
eficácia e pretende testar a ação em praças mais remotas, apesar do bom
resultado das apresentações em parques carentes de programação e atividades de
Lazer, apresentações que contam com a simpatia e o apoio franco da Secretaria do
Meio Ambiente.
O TEATRO DE BONECOS REVIGORADO
Com a ação o SOBREVENTO revigora o Teatro de
Bonecos, difundindo-o junto ao público, que na maioria das vezes nunca viu
Teatro de Bonecos, ao mesmo tempo em que amadurece o profissionalismo de jovens
marionetistas, dando-lhes, não só experiência, como também renda. A iniciativa
pretende, também, recuperar o Teatro de Bonecos de rua, em uma época em que já
não se vêem espetáculos de bonecos em praças públicas, em que passar o chapéu
parece vergonhoso e, o que é pior, em que a Tradição e o Teatro Popular e de
Rua parecem retrógrados aos olhos dos artistas mais “modernos”.
MAIS DO QUE APRESENTAÇÕES
Cada apresentação na praça, envolve, além do grupo
de artistas, um coordenador, um técnico e um motorista. Além das apresentações,
faz-se, semanalmente, uma reunião de planejamento, avaliação e reorientação das
ações , um ensaio de manutenção, e encontros de manutenção de bonecos,
adereços, retábulo e equipamentos. Cada Grupo dispõe de equipamento de som
independente, composto de microfone, cabos, fios, plugs, caixas amplificadas e mesa. Há uma direção de produção que
organiza coordenações de transporte e de divulgação e o SOBREVENTO está à
cabeça da preparação e realização de todo o Projeto, em todas as fases, o tempo todo.
APERFEIÇOANDO AS APRESENTAÇÕES
O SOBREVENTO pretende aperfeiçoar as condições de
apresentação nas praças, sobretudo através da melhoria dos equipamentos utilizados
(é necessário aumentar o número de microfones e dispor de uma pequena mesa de
som, um mixer) e da presença, em todas
as situações, de um operador de som que possa controlar melhor, por estar de
fora, a qualidade do som amplificado. Pretende, também, melhorar a divulgação,
atraindo mais público, através de um contato maior com instituições de âmbito
local, através da busca mais direta do apoio do comércio e dos moradores das
vizinhanças e através da impressão e distribuição de um número maior de cartazes
(1000 cartazes esgotaram-se em uma única semana, na iniciativa anterior, devido
à receptividade daqueles que poderiam exibir cartazes). Por último, pretende
imprimir e distribuir um jornal que contenha a programação, a razão de ser da
iniciativa, informações sobre como é realizada, quem a realiza e quem a fomenta
e apóia. A garantia de um aperfeiçoamento constante é dada pelo empenho dos
envolvidos no Projeto, que, em reuniões semanais, corrigem os seus rumos.
O QUE INSPIRA A AÇÃO
A proposta baseia-se na idéia importada dos Teatros
de Guinhol parisienses e levada a cabo pelo Prefeito Pereira Passos quando da
reurbanização da cidade do Rio de Janeiro, no início do século: na época foram
construídos Teatros de Guinhol (fantoches populares) em várias praças da
cidade. A praça deveria ser o local de reunião da população e oferecer Lazer às
famílias que ganhavam uma nova configuração, com a consolidação definitiva de
uma burguesia urbana, finda a escravidão e com uma sociedade cada vez menos rural e mais concentrada. No Rio de Janeiro,
Teatros de Guinhol vêm sendo construídos em diferentes praças, a partir de uma
idéia nascida nos dois anos em que o SOBREVENTO respondia pela Coordenação de
Teatro de Bonecos e de Animação que inaugurou na Prefeitura. Contrário à
construção de equipamentos que impõem condições limitadas aos espetáculos e sem
produção suficiente para ocupá-los com qualidade, o SOBREVENTO defende o
resgate do princípio almejado pelo urbanista fluminense (a praça como lugar de
Lazer para a família), com a utilização de palcos móveis, sem a necessidade da
construção de uma estrutura fixa e onerosa, que terminará por ser derrubada,
caso não se estimule forte e francamente a produção de espetáculos de bonecos
de qualidade e adequados aos espaços.
3 - MAIS QUE UM GRUPO
TRANSFORMANDO O SOBREVENTO EM UM NÚCLEO DE FORMAÇÃO E DIFUSÃO DO TEATRO DE ANIMAÇÃO
A NOVA ESTRUTURA DO SOBREVENTO
O Projeto realizado pelo SOBREVENTO através do Programa Municipal de Fomento ao Teatro
para a Cidade de São Paulo, em sua edição de 2003, provocou uma grande
transformação na estrutura do Grupo. Fortalecendo sua atuação na Zona Leste da
Cidade, onde está sediado há sete anos, o Grupo terminou por formar cerca de
trinta jovens marionetistas entre a população de baixa renda de dez bairros
diferentes da região, 23 dos quais integram, hoje, o SOBREVENTO através de
novos núcleos dentro do próprio grupo. O espaço do Grupo, que servia exclusivamente
como escritório, depósito e espaço de ensaio e confecção para o SOBREVENTO,
terminou por transformar-se em uma espécie de centro de pesquisa e de apoio à
produção e à difusão do Teatro de Bonecos. Com a freqüência quase diária de
mais de trinta jovens, o Grupo viu-se obrigado a criar um aparelhamento básico
de modo a permitir o trabalho dos vários marionetistas que formou e dos
interessados que passaram a visitar um espaço até então restrito ao SOBREVENTO. No decorrer do Projeto – e
com a ajuda dos vários interessados – o Grupo terminou por organizar um acervo
especializado de livros, vídeos e imagens digitais (fotos e vídeos), ao mesmo
tempo em que implantava um sistema de consulta e empréstimos para favorecer o
desenvolvimento do trabalho daqueles que precisavam consultá-los. O grupo também observou como a simples
disponibilização de um ateliê de confecção bem equipado em ferramentas é um apoio
fundamental para os grupos poderem continuar a produzir seus espetáculos.
APROFUNDANDO A FORMAÇÃO DE JOVENS MARIONETISTAS
Com a renovação
do Programa de Fomento ao Teatro o SOBREVENTO poderá incorporar os jovens que
formou em suas Oficinas, dando prosseguimento à ação FANTOCHES NAS PRAÇAS. Mais
que isto, porém, poderá aprofundar a formação destes jovens, fornecendo
orientações técnicas e artísticas, em encontros e ensaios freqüentes,
treinando-os em apresentações, montando grupos de estudo e ensinando-lhes a
prática da produção. Ao mesmo tempo em que os aproxima, incorporando-os às suas
ações, bem como lhes oferecendo espaço, equipamentos, acervo, orientações
técnicas e artísticas, o SOBREVENTO pretende estimular um certo grau de
autonomia destes jovens, tanto que os agrupou em seis núcleos independentes.
Assim, o SOBREVENTO pretende, também, favorecer a profissionalização e a consolidação
de novos Grupos de Teatro de Animação, através da criação de projetos coletivos
e da busca de condições para a sua apresentação pela Zona Leste, tratando de
dinamizar espaços culturais e instituições sociais, engajando o grupo em um
compromisso com a região onde moram.
ESTÁGIOS NO PROCESSO DE CRIAÇÃO E PRODUÇÃO DO NOVO ESPETÁCULO
Durante a elaboração do novo espetáculo em
diferentes etapas o SOBREVENTO vai abrir o processo de criação e produção a
jovens marionetistas, visando a ampliar a sua formação. Os diferentes artistas envolvidos
na montagem de PARTIR-SE serão chamados a envolver os jovens no processo de
criação de diferentes áreas do espetáculo. A concepção da luz, da cenografia, dos
figurinos, da música e da dramaturgia se dará em discussões abertas aos jovens,
em forma de aula e de estágios, para enriquecer o seu aprendizado no Teatro de
Animação. O SOBREVENTO também pretende oferecer estágios a estes jovens durante
todo o processo de produção do novo espetáculo do Grupo, fazendo-os participar
como colaboradores na criação do espetáculo.
ARRAIGAMENTO E PROJETO DE LONGO PRAZO
De um instante para o outro, o SOBREVENTO viu-se
transformado em um núcleo multiplicador, capaz de mobilizar jovens artistas e,
através de suas ações, interferir em diferentes comunidades. O Grupo vislumbra
a possibilidade de estabelecer-se como uma rede, multiplicando sua atuação
pelas mãos de diferentes marionetistas, estruturados em diferentes núcleos que, podendo aproveitar da
infra-estrutura de um grupo consolidado em seu fazer artístico e em sua
estrutura de produção, podem fazer crescer o próprio SOBREVENTO, multiplicando
suas atividades, sua experiência, seu pensamento artístico e seu posicionamento
ético. Hoje graças ao Programa de Fomento da edição de 2003, o SOBREVENTO conta
com mais 23 marionetistas que formaram seis novos núcleos dentro do SOBREVENTO.
Ao longo de 17 anos de trabalho ininterrupto, o SOBREVENTO vem realizando diversas atividades artísticas: criação e apresentação de espetáculos, organização de festivais, turnês de companhias estrangeiras e eventos e promoção de oficinas de Teatro de Animação voltadas para crianças, professores, iniciantes, jovens artistas e marionetistas, além de outras realizações. O GRUPO SOBREVENTO vê-se instado a transformar-se, agora, em um núcleo multiplicador e formador, em um pólo de referência do Teatro de Animação e em um ponto de apoio à produção de novos grupos de marionetistas da cidade. Quer, com isto, difundir a sua Arte e vislumbra poder realizar Festivais, eventos e intercâmbios, agora de forma regular e planejada; efetivar projetos multiplicadores e promover uma grande ocupação da cidade pelo Teatro de Bonecos, que pode ser Arte, Entretenimento, Terapia e Ferramenta Educacional, entre muitas outras coisas.
ONDE O SOBREVENTO SE INSPIRA
O SOBREVENTO vê a sua abertura como uma evolução
natural de seu trabalho e se alimenta da experiência de Grupos de outros
estados brasileiros, como o Giramundo (MG), o Mamulengo Só-Riso (PE) e o Centro
Animações (PR); de centros estrangeiros como o Centro Teatro di Figura
(Itália), do Centro de Documentación y Investigación del Teatro de Títeres,
dirigido por Pablo Medina (Argentina), do Museo Argentino del Títere /
Fundación Mané Bernardo – Sarah Bianchi (Argentina), do Centre de Titelles de
Lleida (Espanha), do Centro de Títeres de Bilbao (Espanha), do Teatro Malic
(Espanha) e, até mesmo, da iniciativa paulistana do Espaço Cenográfico,
dirigido por J. C. Serroni. O SOBREVENTO pôde conhecer todos estes Centros e Instituições de perto e mantém laços
estreitos com todos eles.
E O SOBREVENTO É CAPAZ DE REALIZAR ESTE PROJETO?
Apontado como um dos maiores especialistas
brasileiros da área, o SOBREVENTO caracteriza-se pela pesquisa de linguagem, pelo alto nível de suas realizações
artísticas e por sua experiência como formador. O SOBREVENTO foi fundado há 17 anos e todos os seus espetáculos
estiveram entre os melhores de suas temporadas. Como uma companhia de
repertório, viaja constantemente para apresentar seus espetáculos, sua fonte de
renda, que possibilita sua manutenção. Em suas andanças, viajou por todo o
Brasil, do Acre ao Rio Grande do Sul, apresentou-se em mais de uma centena de
cidades brasileiras, fez sete turnês pela Espanha e mostrou seus espetáculos,
representando o Brasil, na Irlanda, Escócia, Argentina, Chile, Peru e Colômbia.
Seus fundadores foram professores de Teatro de Animação, Adereçaria, História
do Teatro e História do Teatro Brasileiro da USP e da UFRJ, ministraram cursos
de âmbito nacional reconhecidos no Ministério da Educação chileno, na
Universidade Católica Blas Cañas, em Santiago do Chile, deram Oficinas em um
grande número de estados brasileiros e formaram um grande número de
marionetistas profissionais. Além disto, organizaram e desenvolveram Projetos
de Arte-Educação na periferia de Diadema e em cidades do interior paulista.
Todos os novos integrantes do SOBREVENTO são frutos de Oficinas que realizou na periferia da cidade de São Paulo e de
estágios que ofereceu.
POR QUE PLEITEAR APOIO DO PROGRAMA DE FOMENTO?
Sendo um Grupo de pesquisa do Teatro de Animação,
não é nada fácil conseguir apoios públicos ou privados para os seus
Projetos. Para criar seus espetáculos,
normalmente, o SOBREVENTO apresenta intensamente os seus espetáculos de
repertório, a fim de gerar um caixa que dê conta dos custos de uma nova
produção ou de uma temporada desejada.
O trabalho do SOBREVENTO sempre esbarra com dificuldades financeiras, quando da preparação de novos espetáculos, pelos problemas advindos de coadunar-se leituras, pesquisa, entrevistas, ensaios e oficinas internas com o tempo para fazer e buscar apresentações dos espetáculos de seu repertório O SOBREVENTO parte sempre de uma pesquisa diferente para seus novos espetáculos, o que demanda, pelo menos, seis meses de dedicação exclusiva ao processo de criação, inviável de conciliar com outras atividades.
Contemplando este Projeto, o PROGRAMA DE FOMENTO AO TEATRO terminará por subsidiar o trabalho de pesquisa estética do SOBREVENTO, um trabalho reconhecido internacionalmente por sua solidez e profundidade, ao mesmo tempo em que fomenta uma ação pública de grande impacto, conseqüente com os objetivos artísticos e com o compromisso social do Grupo.
NÚCLEO ARTÍSTICO E CURRÍCULO DOS COMPONENTES
O SOBREVENTO possui um núcleo artístico formado por quatro membros que atuam diariamente no Grupo. Conta, ainda, com o trabalho constante de dois contra-regras e de uma secretária, todos formados em Oficinas do Grupo, além de um grande número de colaboradores constantes. Os seus membros dividem-se entre as diversas tarefas artísticas, técnicas, administrativas e diretivas que o Grupo requer continuamente. Hoje, além do seu núcleo artístico, o SOBREVENTO tem mais 23 jovens jovens que freqüentam a sua sede pelo menos três vezes por semana e que multiplicam as ações do SOBREVENTO, ao mesmo tempo em que aprofundam a sua formação artística.
O Núcleo Artístico do SOBREVENTO é formado por:
SANDRA VARGAS,
LUIZ ANDRÉ CHERUBINI,
MAURÍCIO SANTANA e
ANDERSON GANGLA.
Além disto, agrega, agora, 23 jovens marionetistas:
AGNALDO DOS SANTOS SOUZA,
ALEXANDRE C. AMARAL,
AUDREI BALDUÍNO,
EDSON DOS SANTOS SILVA (JACARÉ),
FABIANA CARAMASHI,
FABIANA DA SILVA,
GIULIANA PELLEGRINI,
HELDER PARRA RIBEIRO,
JOSÉ ELIAS DE SOUZA (TICO),
LÉIA IZUMI,
LEONARDO VINÍCIUS F. MELO,
LIDIANE SANTOS,
MARCELO DOS SANTOS AMARAL,
MARCO ANTONIO SENNA,
PAULO FRANCO,
RAYANE CACIOLARI,
ROGÉRIO UCHOA,
SHEILA ALENCASTRO,
SIDNEI BATISTA BONFIM,
SIRLEY ALVES DE LIMA,
VALMIR FERREIRA SANTOS,
WELLINGTON SERTÓRIO FONTALVA,
ZHE GOMES.