Fomento 3
Projetos públicos têm que ser de conhecimento público!
EM BUSCA DE UM TEATRO CONTEMPORÂNEO
PARA CRIANÇAS
PROJETO SELECIONADO PARA O
PROGRAMA MUNICIPAL DE FOMENTO AO
TEATRO PARA A CIDADE DE SÃO PAULO - 2006
IX EDIÇÃO
APRESENTAÇÃO
No seu vigésimo aniversário, o SOBREVENTO se pergunta
se o Teatro para Crianças está no caminho certo.
Estamos em consonância com o nosso tempo?
Não estamos fazendo do Teatro Infantil uma Arte
retrógrada, conservadora, apassivadora e utilitária?
O Teatro para Crianças não está se aproximando
perigosamente da Recreação, do Ensino,
da Domesticação de Feras, da Atenção a Deficientes,
da Criação de Ovelhas e da Guarda de Carros?
Não transformamos o Teatro para Crianças em um gênero
em um maneirismo, em um mecanismo, em uma fórmula?
Tema, lógica, narrativa, moral da história: reduzimos o
Teatro – e, especialmente aquele para crianças – a isto?
Não fizemos da Arte de Dionísio a Arte de Apolo?
Não há na nossa Arte uma infinidade de certezas
para um quase-nada de dúvidas?
Não esquecemos que temos mais a aprender>
com as crianças que a ensiná-las?
Estamos à altura das crianças?
Ao longo de seus vinte anos de carreira, em seus tantos anos de pesquisa e experiências, em suas muitas viagens e no seu contato com artistas de diferentes áreas, o Grupo SOBREVENTO amadureceu sua inquietação sobre o Teatro Infantil. Descobriu um sem-número de dúvidas, e chegou a poucas certezas. Duas certezas destacam-se entre as demais: a de que precisamos discutir o Teatro Infantil como Arte Contemporânea e a de que este é o nosso momento de fazê-lo.
O novo Projeto do SOBREVENTO visa amadurecer a pesquisa do SOBREVENTO acerca das potencialidades expressivas do Teatro voltado para crianças, buscando sua contemporaneidade através da experimentação do alargamento de limites estabelecidos preconceituosamente pelo senso-comum e da fuga de estruturas consolidadas pelo uso costumeiro.
PARA ISTO, O GRUPO PRETENDE:
1 - Montar um FORUM DE DISCUSSÃO DO TEATRO PARA CRIANÇAS, realizando encontros semanais, na sede do SOBREVENTO:
2 - Reeditar a ação FANTOCHES NAS PRAÇAS, que totaliza 36 apresentações públicas gratuitas de seis espetáculos diferentes em seis praças culturalmente desassistidas da Zona Leste da cidade:
3 - Criar a ação A PRAÇA DOS BONECOS, que totaliza 12 apresentações públicas gratuitas de 12 espetáculos diferentes em uma mesma praça ou parque da Zona Leste da cidade reestruturando a ação Fantoches nas Praças . A programação consistirá na apresentação dos quatro espetáculos que compõem o repertório infantil do Grupo SOBREVENTO , de QUATRO ESPETÁCULOS de quatro núcleos de marionetistas que fazem parte do projeto FANTOCHES NAS PRAÇAS e de QUATRO ESPETÁCULOS de quatro companhias paulistas de teatro de animação convidadas:
4 - Criar a ação EM BUSCA DE UM TEATRO INFANTIL CONTEMPORÂNEO, que consiste em um intercâmbio internacional com o Grupo espanhol La Casa Incierta , precursor do Teatro para Bebês em seu país, e com o diretor Carlos Laredo, ex-diretor da Rede de Teatros de Madri e diretor dos Festivais Teatralia, Rompiendo el Cascarón, entre muitos outros festivais dirigidos a crianças na Europa. A ação prevê:
5 - Montar um NOVO ESPETÁCULO INFANTIL, experimental, como corolário do Projeto;
6 - Consolidar a NOVA ESTRUTURA do SOBREVENTO
RECAPITULAÇÃO DAS ATIVIDADES PÚBLICAS A SEREM REALIZADAS
FANTOCHES NAS PRAÇAS
A PRAÇA DOS BONECOS
EM BUSCA DE UM TEATRO INFANTIL CONTEMPORÂNEO
NOVO ESPETÁCULO INFANTIL
TOTALIZANDO:
JUSTIFICATIVA Tendo circulado por diferentes Festivais europeus de Artes para Crianças e de Teatro de Bonecos, surpreendemo-nos ao não encontrar, em nosso país, um Teatro para Bebês, Música Instrumental para Crianças, espetáculos de Dança para Crianças... e poucas vezes encontramos a pesquisa, a dúvida e a provocação no Teatro Infantil.
No contato com o espanhol Carlos Laredo, diretor de importantes Festivais de Artes para Crianças (Teatralia, Rompiendo el Cascarón, etc...), terminamos por fazer de seu grupo – La Casa Incierta – um interlocutor em diferentes questões que sempre nos afligiram, em nossas montagens dirigidas aos pequenos. Em diferentes encontros, estabelecidos em Madri, em Alcalá de Henares e cidades vizinhas, em Brasília, em São Paulo e no Rio de Janeiro, amadurecemos considerações sobre as crianças e sobre o Teatro dirigido a elas.
O SOBREVENTO parte de algumas indignações e sabe que, dificilmente, poderá saciar tanta curiosidade. Já de partida, são muitos os questionamentos:
As questões são muitas: relacionam-se ao que conhecemos e ao que desconhecemos das crianças, da nossa Arte, do nosso mundo e de nós mesmos.
Dono de um conhecimento amplo do Teatro Infantil realizado em, praticamente, todo o mundo inteiro, sobretudo o da na Espanha e do no Brasil, já que Clarice, atriz do Grupo, sua esposa, é brasileira, Carlos Laredo diz acerca do Teatro Infantil: “o adulto que sabe tudo, que tem certeza, que tem domínio, sente-se com o dever de conduzir o comportamento infantil. Sabe, frente ao que não sabe, e, portanto, deve mostrar e ensinar o caminho. A experiência transforma-se em previsibilidade, em ordem, em transmissão didática de conhecimentos e condutas morais, envio de mensagem com tentativas desesperadas de estabelecer códigos de comunicação e com buscas de eliminar emoções intensas. Para estabelecer estes códigos, o adulto resgata – em nome da verdade – um imaginário infantil finito, que emerge da tradição oral popular, da literatura infantil e do banho estético dos meios de comunicação de massa: um imaginário em sério conflito de poder com a imaginação infantil, que é, pelo contrário, aberta, disponível, surpreendente, infinita e politicamente incorreta”.
É com este Grupo de Carlos e Clarice, precursor do Teatro para Bebês na Espanha, que o SOBREVENTO quer estabelecer um intercâmbio internacional que o guie para uma comunicação ainda mais estreita com as crianças a que se dirige, uma comunicação provocadora, incerta, instável, como sugerem os nomes dos dois Grupos: SOBREVENTO e La Casa Incierta.
O SOBREVENTO quer confrontar, ainda, suas dúvidas ou o resultado de suas reflexões com a visão de outros pensadores e pode fazê-lo já , uma vez que existem, hoje, próximas, pessoas que mantêm um grande interesse e dedicação ao tema deste Projeto, pessoas a quem o Grupo admira por sua competência, seriedade e engajamento. Dentre estes, destacam-se Karen Acioly, diretora de Teatro para Crianças do Rio de Janeiro, diretora do Centro de Referência do Teatro Infantil, instituição vinculada à Prefeitura do Rio de Janeiro, com sede no Teatro do Jockey; Flávio Desgranges, Professor da cadeira de Teatro Infantil da USP; Dib Carneiro Neto, crítico de Teatro Infantil e editor do Segundo Caderno do jornal O Estado de São Paulo; Lisete Negreiros, atriz e programadora de Teatro Infantil do Centro Cultural São Paulo; Horacio Tignanelli, dramaturgo e diretor de Teatro de Bonecos, argentino – vinculado ao Ministério de Educação de seu país; Carlos Martinez, também diretor e dramaturgo de Teatro de Bonecos, argentino; Maria José Frías, marionetista espanhola especializada no Teatro para Crianças, diretora da Cia. Maria Parrato, de Madri e idealizadora do Centro Infantil de Potenciación Educativa a través de las Artes; Evaldo Mocarzel, jornalista, diretor de cinema, ex-editor de Cultura do Jornal O Estado de São Paulo, dramaturgo e roteirista, etc.
O SOBREVENTO, porém, não tem interesse senão no desenvolvimento de um Teatro experimental e o objetivo desta pesquisa é a organização de um pensamento sobre as Artes Cênicas para crianças e o desenvolvimento de diferentes formas de comunicação, de relação, com este público, através do Teatro.
Com o seu instrumental técnico e artístico, com o seu repertório, com as suas ações, apresentando o seu trabalho, experimentando novas situações, estudando, pesquisando, discutindo, o SOBREVENTO busca, neste projeto, se entender, se conhecer melhor, provocando a dúvida nos artistas que somos e naqueles que estão próximos de nós. Busca, assim, gerar uma espiral de questionamentos, um movimento de busca de libertação dos estereótipos e dos preconceitos que temos sobre as crianças e sobre a nossa Arte e que nos amarram a um formato previsível e imediatamente reconhecível como Teatro Infantil.
AS 6 AÇÕES, UMA A UMA Todas as ações previstas neste Projeto visam aprofundar uma reflexão sobre a contemporaneidade do Teatro para Crianças.
1 - FORUM DE DISCUSSÃO DO TEATRO PARA CRIANÇAS
Graças ao Programa de Fomento ao Teatro da Cidade de São Paulo, o GRUPO SOBREVENTO teve a sua estrutura modificada, transformando-se, de um grupo pequeno, em um centro congregador de jovens marionetistas interessados na pesquisa do Teatro de Animação. Nos três últimos anos, o SOBREVENTO reuniu um grupo de jovens da Zona Leste, a quem formou e profissionalizou como bonequeiros especializados em bonecos de luva. Congregou, também, muitos profissionais da área, em encontros com personalidades brasileiras e estrangeiras do Teatro de Bonecos que visitaram a sede do Grupo.
O tema de estudo proposto pelo SOBREVENTO, agora, é o TEATRO CONTEMPORÂNEO PARA CRIANÇAS e, já de partida, é grande o interesse dos tantos jovens que acompanham o trabalho do Grupo. Durante um longo período (pelo menos seis meses), o SOBREVENTO pretende manter encontros, em princípio semanais, em que se discuta o tema, amparado por leituras comuns, por entrevistas e debates com pensadores e artistas que se dedicam ao público infantil e pelas experiências de apresentações públicas que o SOBREVENTO realizará, tanto de seu repertório, quanto dos espetáculos envolvidos nos Projetos que desenvolve e que criará.
ENTREVISTAS E DISCUSSÕES
Entrevistar e entabular discussões com pensadores brasileiros do Teatro Infantil e artistas de diferentes áreas da criação artística no país servirão para fomentar e amparar as discussões levantadas no FORUM. As diferentes questões suscitadas devem requerer diferentes consultas, entrevistas e encontros e, por este motivo, o Grupo não se sente em condições de prever os especialistas que precisariam ser consultados. Entretanto, o contato próximo estabelecido pelo SOBREVENTO nos muitos encontros e festivais de que participou no Brasil e no estrangeiro e nos muitos eventos que organizou e dirigiu garantem-lhe o acesso a diferentes pesquisadores e artistas. O SOBREVENTO também mantém contato estreito com representações diplomáticas e é capaz de organizar encontros com personalidades estrangeiras de passagem pelo país, sempre que esteja de acordo com os temas debatidos no FORUM.
Efetivamente, todos os anos, o SOBREVENTO recebe visitas de grandes expoentes do Teatro de Animação em sua sede. Recentemente, recebeu, por exemplo, como palestrantes:
Consultas e entrevistas a artistas e pesquisadores fora de São Paulo também podem ser realizadas no SOBREVENTO, através de tele ou videoconferências, pela Internet, para os quais o Grupo está capacitado.
2 – FANTOCHES NAS PRAÇAS
Este Projeto reedita a ação FANTOCHES NAS PRAÇAS, que obteve grande sucesso e receptividade do público, nas comunidades por onde passou, atendendo a uma população de baixa renda, afastada do Centro e sem acesso à Cultura e ao Lazer.
FANTOCHES NAS PRAÇAS é uma ação que teve início em 2004 e que prosseguiu em 2005, chegando a quatro edições, com a subvenção do Programa de Fomento ao Teatro. A ação leva espetáculos de fantoches de seis grupos de Teatro de Bonecos que o SOBREVENTO formou na Zona Leste da cidade às praças mais remotas e desassistidas da região. A idéia é que cada praça receba uma espécie de mini-festival de Teatro de Bonecos, assistindo a um espetáculo diferente a cada domingo. A Mostra atingiu um público de aproximadamente 18.000 pessoas, em nada menos que 144 apresentações, em 24 praças.
Neste Projeto, o SOBREVENTO fará com que a ação FANTOCHES NAS PRAÇAS tenha a sua quinta edição. Como sempre, o Festival consistirá em seis apresentações, de seis espetáculos diferentes, simultâneos durante seis domingos, em seis praças, , totalizando 36 apresentações gratuitas, sempre na Zona Leste, a região mais pobre e mais populosa da cidade, e a região onde, há muitos anos, o SOBREVENTO mantém a sua sede.
TEATRO DE FANTOCHES
A poesia, o humor e a delicadeza do Teatro de Fantoches, uma Arte tão ingênua e singela, parecem contrastar de maneira quase chocante com o ambiente hostil da periferia. Sua vitalidade, porém, mostra o poder congregador de uma Arte que relembra valores que pareciam perdidos, em tempos de muita vaidade, muito egoísmo, muito ruído, muita velocidade e pouco sentido crítico. Em um tempo em que valores que há pouco eram considerados doentios são considerados virtudes (ser ambicioso, por exemplo, não era um defeito de caráter?), os fantoches nos lembram de alguma coisa que perdemos sem nos dar conta, nos ajuda a colocar as coisas nos seus devidos lugares, como ainda gostaríamos que fossem, porque o cinismo não venceu nada além de uma batalha. Os fantoches trazem as famílias de volta às praças, promove o encontro dos vizinhos, reúne os moradores da periferia em outro lugar que não a igreja e o botequim, os únicos lugares a possibilitar o convívio social na região. E a população recebe a iniciativa com simpatia e, mesmo, com gratidão e restaura, nas praças e parques da periferia , um clima que já não se via.
DIVULGAÇÃO E ESTRUTURA
Pelo menos durante seis semanas, cada mostra foi é capaz de transformar os locais onde foi é apresentada num espaço de lazer familiar. A própria maneira como a Mostra chega a cada praça faz com que a comunidade responda calorosamente ao evento. A divulgação de cada apresentação, feita pelos próprios artistas, e admiração inclusive no dia de sua apresentação, convidando cada morador a assistir a seu espetáculo, esta proximidade, faz com que cada comunidade se sinta valorizada e respeitada e o resultado é um grande comparecimento de famílias às praças. A presença de um monitor (sempre o mesmo em cada praça), a informação bem dirigida do Programa e o cuidado com os mínimos detalhes, além da qualidade de cada um dos seis espetáculos, fazem a ação ganhar respeito e admiração unânimes. A comunidade ficava sabendo com muita antecedência do evento e a divulgação acontece de porta a porta, o que garante e isto garantia trazia um tom mais humano e direto à produção do evento.
Cada apresentação na praça, envolve, além do grupo de artistas, um monitor, um técnico e um motorista. Além das apresentações, faz-se, semanalmente, uma reunião de planejamento, avaliação e reorientação das ações, um ensaio de manutenção, e encontros de manutenção de bonecos, adereços, retábulo e equipamentos. Cada Grupo dispõe de equipamento de som independente, composto de microfone, cabos, fios, plugs , caixas amplificadas e mesa. Há uma direção de produção que organiza coordenações de transporte e de divulgação e o SOBREVENTO está à cabeça da preparação e realização de todo o Projeto, em todas as fases, o tempo todo.
NA PERIFERIA
O SOBREVENTO tem claro que é na periferia que a ação FANTOCHES NAS PRAÇAS tem que estar: na mesma periferia pobre e desassistida que torna a iniciativa financeiramente inviável, que não dá “nem visibilidade nem mídia”, mas que quer, que preza, que precisa e que merece o Projeto. Nos chapéus passados ao final das apresentações, os grupos recolheram muitas moedas de cinco e dez centavos, flores, balas, pães, doces, pastéis, uma borracha de panela de pressão, provando que o público de crianças, ambulantes, famílias, mesmo sem dinheiro no bolso, acha que os artistas merecem uma retribuição.
Na última edição do Festival, por exemplo, chuvas torrenciais desabaram em quatro dos seis domingos em que as apresentações aconteceram. Surpreendentemente, as apresentações não foram adiadas e em cada praça, 120 espectadores, em média, reuniram-se sob guarda-chuvas, improvisaram coberturas usando as lonas do chão e, mesmo debaixo de um temporal, saíram de suas casas para prestigiar o Teatro de Bonecos . De fato, em vinte anos de carreira, o SOBREVENTO nunca viu ou imaginou ver o público saindo de casa, durante um temporal, para assistir a um espetáculo de Teatro de Rua em uma praça, sem cobertura. E não haveria como cancelar uma apresentação, em uma situação destas, frente a mais de cem pessoas.
AS REFORMULAÇÕES
A nova edição do FANTOCHES NAS PRAÇAS pretende alterar mais significativamente o espaço físico das praças onde acontecem as apresentações. A montagem de uma cenografia, a definição mais clara de uma área de atuação, o oferecimento de lonas onde as crianças possam sentar-se ou cadeiras para os mais idosos, o estudo de alguma cobertura, no caso de chuva, devem ser alguns dos pontos a serem analisados para um desenvolvimento do evento.
O SOBREVENTO, que , em jornais distribuídos gratuitamente durante as apresentações, destacava o direito de acesso da população à Cultura e ao Lazer próximo de suas casas, desta vez destacará questões ligadas ao Teatro dirigido a Crianças. O Grupo pretende oferecer às Crianças um Teatro Infantil que possa ser desfrutado por toda a família. As reuniões de avaliação, que antes serviam para corrigir os espetáculos, agora, servirão para provocar discussões sobre a comunicação com o público infantil, sempre orientadas por um artista ou pesquisador que acompanhe as apresentações.
3 - A PRAÇA DOS BONECOS
A PRAÇA DOS BONECOS é um desenvolvimento da ação FANTOCHES NAS PRAÇAS, mantendo os seus objetivos, mas dando-lhe outro formato. Em uma única praça ou parque da Zona Leste, com pouco acesso a atividades Culturais e de Lazer, o GRUPO SOBREVENTO realiza 12 apresentações públicas gratuitas de 12 espetáculos diferentes, em 12 semanas consecutivas. A programação consistirá na apresentação dos quatro espetáculos que compõem o repertório infantil do Grupo SOBREVENTO , de QUATRO ESPETÁCULOS de quatro núcleos de marionetistas que fazem parte do projeto FANTOCHES NAS PRAÇAS e de QUATRO ESPETÁCULOS de quatro companhias paulistas de teatro de animação convidadas.
Desta forma, o SOBREVENTO pretende testar a ação em um mesmo espaço em um período mais longo, avaliando a capacidade de atração de público proveniente de lugares mais distantes do local de apresentação, já que os FANTOCHES NAS PRAÇAS terminavam por congregar a população do entorno. Pretende, também, experimentar novos horários de apresentação, a fim de analisar a alteração do público, em termos de quantidade e de faixas etárias. A iniciativa servirá ainda para discutir o resultado da apresentação de espetáculos de outras técnicas (de animação), com diferentes formatos, com maior requerimento de recursos técnicos e com outro tipo de relação com o público: montagens, por exemplo, que proponham menor interação com os espectadores, que requeiram mais atenção ou que sejam mais delicados que festivos.
Nesta ação, com a possibilidade de apresentar quatro espetáculos de seu repertório em condições também menos costumeiras, o SOBREVENTO também aproveita para difundir o seu trabalho mais experimental na região em que está sediado há 6 anos e para a qual orienta, particularmente, o seu trabalho, tendo realizado, nos últimos 3 anos, mais de 250 apresentações (144 apresentações nos Fantoches nas Praças , 30 apresentações no Projeto Bonecos Aqui! , 24 apresentações de O Cabaré dos Quase-Vivos , uma temporada de Submundo no Teatro Arthur Azevedo, muitas apresentações de O Anjo e a Princesa , de Cadê o meu Herói? e de Submundo em CEUS, entre outras).
Em todas as apresentações, teremos pensadores ou artistas convidados, que debaterão as provocações levantadas por cada um dos doze espetáculos dirigidos a crianças, na sede do SOBREVENTO. A análise das apresentações e das diferentes experiências realizadas (horários, técnicas, estrutura, comportamento do público, perfil e quantidade de espectadores) pretende consolidar o entendimento das possibilidades de comunicação e relacionamento com os espectadores na situação trabalhada.
4 - EM BUSCA DE UM TEATRO INFANTIL CONTEMPORÂNEO - INTERCÂMBIO INTERNACIONAL
Esta ação, realizada em quinze dias, prevê uma semana de discussões internas entre os Grupos SOBREVENTO e La Casa Incierta e uma semana de atividades públicas. Nesta segunda semana, os Grupos apresentarão o seu repertório para crianças – quatro funções de quatro espetáculos do SOBREVENTO e duas funções de um espetáculo do LA CASA INCIERTA. Ao final de cada apresentação, haverá um debate, com três convidados, mediado pelos dois Grupos, com o respaldo de um pesquisador.
Com a finalidade de discutir o Teatro Infantil, segundo as visões de diferentes artistas preocupados com a contemporaneidade da Arte voltada para as crianças, serão montadas cinco mesas redondas públicas, com três pensadores ou artistas convidados, coordenadas por ambas as companhias, após o seus espetáculos. Os temas devem partir de provocações lançadas pelos espetáculos que precedam as mesas.
O formato deverá ser:
| SEMANA 1 | ||||||
| Segunda | Terça | Quarta | Quinta | Sexta | Sábado | Domingo |
| Oficina Interna | Oficina Interna | Oficina Interna | Oficina Interna | Oficina Interna | Oficina Interna | Descanso |
| SEMANA 2 | ||||||
| Segunda | Terça | Quarta | Quinta | Sexta | Sábado | Domingo |
| Montagem | Cadê o meu Herói? | Mozart Moments | O Anjo e a Princesa | O Theatro de Brinquedo | Pupila de Água | Pupila de Água |
| - | Mesa Redonda |
Mesa Redonda |
Mesa Redonda |
Mesa Redonda |
Mesa Redonda |
- |
O SOBREVENTO NESTA AÇÃO
As apresentações do SOBREVENTO aqui não servem apenas para difundir o seu Teatro Infantil experimental, mas para promover também serve de ponto de partida para uma análise das provocações levantadas por cada um dos quatro espetáculos dirigidos a crianças de seu repertório.
Em toda a carreira do SOBREVENTO, seus espetáculos infantis nasceram de dúvidas, de inquietações e buscaram provocar o público. Fez isto pondo atores para contracenar com bonecos de manipulação direta no final dos anos 80, tratando da vida de Mozart sem abordar os aspectos mais relevantes de sua biografia, falando de morte, ressuscitando técnicas de animação abandonadas, desmontando a espetacularidade do Teatro, relativizando o maniqueísmo típico de peças infantis, fazendo um monólogo para crianças, enfrentando o “politicamente correto” ao manter as pauladas típicas dos fantoches e ao criar um espetáculo para meninos “maus”, com lutas, tiros, explosões e lasers.
Evitando repetir fórmulas e questionando o formato padronizado do que normalmente se reconhece como teatro infantil, o SOBREVENTO acredita estar desempenhando o seu papel artístico, que não pode ser o de simplesmente servir, agradar e corresponder às expectativas.
O LA CASA INCIERTA NESTA AÇÃO
Através deste intercâmbio com o Grupo LA CASA INCIERTA, o SOBREVENTO traz ao país, pela primeira vez, um espetáculo de Teatro para Bebês que, partindo de um conceito inovador lançado na França, tem obtido uma enorme repercussão na Espanha, nos dois últimos anos. Duas edições do Festival de Teatro para Bebês Rompiendo el Cascarón (Quebrando a Casca), realizadas por Carlos Laredo, diretor do La Casa Incierta , tiveram muito êxito, atraindo grande público e obtendo grande destaque em seu país.
O espetáculo, que explora a sensorialidade, de forma delicada e poética, revela-se uma experiência provocadora para os bebês, para seus pais e para outros espectadores que, não sendo o público a quem o espetáculo se dirige primeiramente, podem assistir ao espetáculo, mais ao fundo. Sem dúvida, é também uma provocação à reflexão e à discussão.
5 – NOVO ESPETÁCULO INFANTIL E EXPERIMENTOS CÊNICOS
Ao final do Projeto, o SOBREVENTO pretende montar um novo espetáculo infantil, fruto das conclusões das tantas discussões e experiências realizadas durante toda a pesquisa. Como todo espetáculo do Grupo, explorará alguma faceta do Teatro de Animação, a fim de alcançar uma comunicação intensa e contemporânea com as crianças, objetivo maior de todo este Projeto. O argumento, ou o roteiro, deverá nascer das experimentações e da própria pesquisa. Este espetáculo terá um mínimo de 12 apresentações públicas a preços populares.
Para a realização final do espetáculo, o grupo tratará de obter resultados intermediários, desenvolvendo experimentos cênicos de curta duração – quadros, números – explorando diferentes técnicas de manipulação, ou diferentes ambientes, ou diferentes tratamentos plásticos, ou diferentes atitudes dos manipuladores, a fim de obter diferentes formas de relação com o público infantil. Estes resultados serão apresentados publicamente, experimentalmente, e seus resultados serão analisados no forum de discussão montado pelo Grupo.
6 – CONSOLIDAR A NOVA ESTRUTURA DO SOBREVENTO
Os Projetos realizados pelo SOBREVENTO através do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, nas suas edições de número 2 e 5, provocaram uma grande transformação na estrutura do Grupo.
Fortalecendo sua atuação na Zona Leste da Cidade, onde está sediado há oito anos, o Grupo terminou por formar cerca de trinta jovens marionetistas entre a população de baixa renda de dez bairros diferentes da região, 23 dos quais integram, hoje, o SOBREVENTO através de novos núcleos dentro do próprio Grupo. O espaço do Grupo, que servia exclusivamente como escritório, depósito e espaço de ensaio e confecção para o SOBREVENTO, terminou por transformar-se em uma espécie de centro de pesquisa e de apoio à produção e à difusão do Teatro de Bonecos.
Com a freqüência constante de mais de trinta jovens, o Grupo viu-se obrigado a criar um aparelhamento básico de modo a permitir o trabalho dos vários marionetistas que formou e dos interessados que passaram a visitar um espaço até então restrito ao núcleo artístico do SOBREVENTO . No decorrer do Projeto – e com a ajuda dos vários interessados – o Grupo terminou por organizar um acervo especializado de livros, imagens e vídeos, ao mesmo tempo em que implantava um sistema de consulta e empréstimos para favorecer o desenvolvimento do trabalho daqueles que precisavam consultá-los.
O Grupo também observou como a simples disponibilização de um ateliê de confecção bem equipado em ferramentas e de alguns equipamentos básicos que podem ser emprestados é um apoio fundamental para os Grupos poderem continuar a produzir e apresentar seus espetáculos.
ACERVO
Além da biblioteca, da videoteca e do arquivo de imagens e dossiês especializados em Teatro de Animação, montado pelo SOBREVENTO, o Grupo disponibilizou computadores a seus freqüentadores para o acesso à pesquisa na Internet. Neste Projeto, o SOBREVENTO busca reorganizar o seu acervo, catalogando-o e sistematizando-o para facilitar a consulta de seus usuários e, para isto, conta com o apoio dos jovens que o freqüentam. Pretende, também, aperfeiçoar o seu sistema de empréstimo, bem como ampliar o seu acervo, através de solicitações e trocas.
REGISTRO
Dispondo de computadores, O Grupo quer, agora, criar condições para a realização de gravações, edições e armazenamento de imagens e vídeos dos trabalhos e experimentos realizados por seus freqüentadores, a fim de permitir um registro de imagens, que o Grupo nunca teve condições de fazer. Dispondo de dois computadores fixos e um portátil em sua sede, com acesso de banda larga à Internet e gravador de DVD, bem como de uma câmara filmadora e fotográfica digital e de uma câmara filmadora analógica, o SOBREVENTO pretende treinar seus integrantes para a realização de gravações e edições simples de imagens e vídeos, a fim de começar a registrar os muitos experimentos cênicos realizados na sede do Grupo, o que permitirá estudos e análises em qualquer tempo.
QUEM SÃO OS JOVENS INTEGRANTES DO SOBREVENTO
Os jovens artistas ligados ao SOBRVENTO, graças à qualidade de seus espetáculos, à sua postura ética e à sua garra em buscar aprimoramento e profissionalização, têm podido apresentar seus espetáculos fora do âmbito dos Projetos dirigidos pelo SOBREVENTO. Assim, estimulados pelo Grupo, estes jovens têm-se apresentado constantemente e, no final de 2004, chegaram a participar, pela primeira vez, de um grande Festival de Teatro de Animação, atuando ao lado de muitos bonequeiros de renome de todo o país. Os diretores do Festival, realizado pelo SESC, foram à sede do SOBREVENTO para assistir a cenas dos espetáculos dos seis Grupos lá formados e, eventualmente, selecionar algum para o seu Festival. Como resultado, convidaram TODOS ELES a integrar o evento.
Os Grupos dos FANTOCHES NAS PRAÇAS participaram, ainda, do prestigioso Festival Internacional de Formas Animadas de Jaraguá do Sul (SC); do Festival Internacional de Teatro de Bonecos do Shopping Jardim Sul; do Projeto Fantoches no Pombas, na sede do grupo Pombas Urbanas, na cidade Tiradentes; da Programação Infantil de algumas unidades dos SESC de São Paulo; do Projeto Cult Circuito de São Bernardo do Campo; da Mostra de Teatro de Bonecos e Formas Animadas de São Bernardo do Campo ; da Mostra de Teatro de Bonecos de Diadema; do Projeto Virada Cultural e, até mesmo do Projeto Recreio nas Férias de janeiro e de julho de 2006. Um dos Grupos chegou a conquistar o subsídio do Programa VAI, de Valorização de Iniciativas Culturais, da Prefeitura de São Paulo. Jovens Alguns passaram a confeccionar bonecos para diferentes produções, ministrar Oficinas regulares de Teatro de Bonecos nos CEUS, na sede do Pombas Urbanas, em cidades do Estado de São Paulo – Guarulhos, São Roque, Osasco, entre outras –, avançando na sua profissionalização e revelando sua capacidade difusora e multiplicadora.
INTEGRAR COMPANHIAS
No Projeto, por meio de participações no Forum e nos Projetos Fantoches nas Praças e Praça dos Bonecos, o Grupo quer atrair pelo menos 4 Companhias paulistas de Teatro de Animação para ao Projeto e compartilhar com elas as experiências vividas e as discussões provocadas. O SOBREVENTO oferece a sua vivência de apresentações em praças públicas da periferia da Zona Leste da cidade, em locais que têm dificuldades de acesso ao Lazer e à Cultura em troca do compartilhamento do pensamento e do saber técnico de artistas que se afinam com os caminhos estéticos do Grupo. Existe um grande número de companhias de Teatro de Animação em São Paulo e o SOBREVENTO é bastante próximo de quase todas elas. O Grupo pretende, assim, tornar sua sede cada vez mais um espaço de convívio, encontro, troca e pesquisa do Teatro de Animação. A escolha destas companhias virá de um cruzamento das questões levantadas no FORUM com o engajamento demonstrado pelas Companhias que se aproximem destas discussões.