COM TRILHA SONORA DE ARRIGO BARNABÉ E FIGURINO DE JOÃO PIMENTA, SÓ REESTREIA EM SP

No dia 1 de outubro, o SOBREVENTO reestreia o espetáculo SÓ, destinado a adultos, em São Paulo. A temporada tem ENTRADA FRANCA e acontece até 18 de dezembro no Espaço Sobrevento (Rua Coronel Albino Bairão, 42 - Metrô Bresser-Mooca), aos sábados e domingos, 20h. Os ingressos podem ser reservados pelo e-mail info@sobrevento.com.br. As apresentações integram o Projeto Memórias e Trajetórias - Sobrevento 30 anos, realizado pelo PROGRAMA MUNICIPAL DE FOMENTO AO TEATRO PARA A CIDADE DE SÃO PAULO.

SÓ é um espetáculo inovador, um raro representante do moderno Teatro de Animação brasileiro, realizado com um apuro técnico e qualidade artística indefectíveis, abordando um tema muito atual a partir de uma perspectiva moderna e revelando a capacidade do Teatro de Animação de expressar nossas idiossincrasias e o nosso momento. O espetáculo apresenta uma visão contemporânea, dirigida ao público adulto, de uma Arte que é uma das manifestações mais importantes de nossa Cultura, lembrando nossa raízes e revelando o quanto esta planta está crescida e robusta e para onde os seus galhos apontam.

O espetáculo foi criado a partir das possibilidades e limitações do Teatro de Objetos, a vertente mais moderna do Teatro de Animação. A técnica baseia-se no uso de objetos prontos, ready-mades, no lugar de bonecos, deslocando-os da sua função (mas sem transformar a sua natureza), para explorar uma dramaturgia que se vale de metáforas, símbolos e figuras de linguagem, em lugar da manipulação propriamente dita. Mas para o SOBREVENTO, que é um dos maiores especialistas brasileiros nesta linguagem, o Teatro de Objetos é particularmente provocador quando apresenta um repertório pessoal, autobiográfico, íntimo e autoral do ator, que se expõe através dos objetos. O grande potencial do Teatro de Objetos não está nas suas particularidades técnicas, mas, sim, naquilo que é capaz de despertar de mais profundo e revelador daquele artista, por meio de seus objetos. Como disse Christian Carrignon, um dos precursores da linguagem no mundo, “o Teatro de Objetos pertence ao nosso tempo e à nossa sociedade e sua vocação primeira é a de tocar nossa intimidade, de interrogar o enigma que nós somos aos olhos dos outros."

A pesquisa partiu de um texto que fala do desconhecimento, do desajuste, da necessidade de se relacionar que parece cada vez mais difícil, em um mundo cada vez mais populoso, cada vez mais conectado e cada vez menos humano. O DESAPARECIDO OU AMERIKA é um romance inacabado de Franz Kafka escrito entre 1912 e 1914. Trata das desventuras de um rapaz alemão expulso de casa pelos pais e enviado aos Estados Unidos depois de ter engravidado uma empregada. Ele se vê envolvido em situações e julgamentos que não lhe dizem respeito, enredado num mecanismo absurdo, movido por culpas e acusações, cujo funcionamento ele não entende e não domina, até que um dia se depara com um cartaz que diz: "O grande teatro de Oklahoma vos chama! Só hoje, só uma vez! Quem agora perder esta oportunidade perde-a para sempre! Quem quiser ser artista, dirija-se a nós! Todos são bem-vindos!".

O novo espetáculo do SOBREVENTO, trata, de forma delicada, subjetiva e ao mesmo tempo contundente, da fraqueza, da vulnerabilidade, da insegurança, da fragilidade e dos sonhos de pessoas que estão em busca de algo que não poderão alcançar. Cinco personagens, interpretados por cinco atores, apresentam-se em diferentes situações, não sequenciais, que partem sempre de objetos que, retratados exatamente como os objetos que são, terminam por transformar-se em elementos poéticos e metafóricos. Os cinco personagens, mais que cinco vidas, são cinco caminhos que terminam por encontrar-se, nas suas solidões. SÓ é fruto de um intercâmbio internacional com duas referências mundiais do Teatro de Objetos: a artista belga Agnés Limbos, diretora da Companhia Gare Central, um dos nomes mais importantes do Teatro de Objetos no mundo, e Antonio Catalano, um dos maiores atores da Itália, artista plástico premiado na Bienal de Veneza e fundador da Casa Degli Alfieri. O espetáculo estreou em julho de 2015, no Itaú Cultural, na cidade de São Paulo, e ficou em cartaz no Espaço Sobrevento, até setembro. Recebeu o PRÊMIO FUNARTE DE TEATRO MYRIAM MUNIZ/2015. Foi apresentado em Campo Grande (MS) e no Rio de Janeiro, onde ficou em cartaz no CCBB. Além de críticas elogiosas, o espetáculo recebeu indicação ao Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), como Melhor Espetáculo, e ao Prêmio Aplauso Brasil, como Melhor Espetáculo e Melhor Trilha Sonora.



TERRA, PARA BEBÊS

Terra, o novo espetáculo do SOBREVENTO, direcionado a crianças de até 3 anos, será apresentado, com entrada franca, até 18 de dezembro, aos sábados e domingos, 11h, no Espaço Sobrevento. Reservas podem ser feitas pelo e-mail info@sobrevento.com.br. A temporada integra o projeto MEMÓRIAS E TRAJETÓRIAS – SOBREVENTO 30 ANOS, realizado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

Uma mulher pisa na terra. Fazia tempo que não sentia a terra nos seus pés. Ao senti-la, lembra do carinho que brota da terra. Dela, desenterra os seus segredos, as coisas pequenas de que é feito o amor que cultivamos na terra. Inspirada na ideia de que as crianças costumam enterrar coisas que lhes são significativas, Sandra Vargas cria um texto que fala de memória, dos laços afetivos e do amor que está dentro de todos nós e que é a base de todo ser humano. Sandra Vargas, também atriz, apresenta-se na companhia de dois músicos, que tocam, ao vivo, violão (William Guedes, que responde pela direção musical e trilha composta especialmente para o espetáculo) e violoncelo (Denise Ferrari).

Todo ser humano é pleno desde que nasce. A um bebê não falta nada. É capaz de se comunicar, de se relacionar, de se emocionar desde sempre. Entende tudo o que merece ser entendido. E isto é o suficiente e o importante para o Teatro, cujos elementos não são feitos de moléculas, de medidas, de quantias, mas de poesia, da poesia inata em todo ser humano.O Teatro para Bebês é, ainda, um desafio para o artista e para o público. Luta contra o tédio, o cinismo, a desesperança, o preconceito, a força. Questiona o Teatro em que o Teatro se transformou. Busca um Teatro que foi, que poderia ter sido ou que ainda pode ser. Querendo, não a novidade, a modernidade ou a contemporaneidade, mas a dúvida. Quando os nossos filhos nascem, aprendemos, juntos, um jeito de nos comunicar. Criamos formas de nos relacionar, de nos reconhecer. E terminamos por nos entender um pouco melhor. Este é o Teatro que o Teatro para Bebês quer ser: um encontro frágil onde cada atitude, cada gesto de cada participante, provoca novos resultados; um descobrimento, um novo olhar, um olhar de quem vê as coisas pela primeira vez e que é capaz de se maravilhar com elas; uma comunhão de gente que se quer, que acredita, que se entrega, que precisa dos outros e que nos outros se reconhece.



OFICINA TEATRO DE OBJETOS

No dia 29 de novembro, terça-feira, às 10h, Luiz André Cherubini, um dos fundadores do Grupo Sobrevento, coordena uma oficina de introdução ao Teatro de Objetos, com entrada franca, no Espaço Sobrevento. Os interessados devem chegar a partir das 9h na Rua Coronel Albino Bairão, 42 (que fica a duas quadras do Metrô Bresser), vestindo roupas leves e portando consigo cerca de 40 objetos (que tragam boas lembranças à pessoa, lembranças tristes, objetos que amem e que odeiem, que julguem estranhos e objetos de sua infância). Mais detalhes pelo tel. (11) 3399-3589.

Vertente mais moderna do Teatro de Animação, filho temporão - rejeitado e depois acolhido - do Teatro de Bonecos, o Teatro de Objetos é uma linguagem teatral muito particular, que cruza objetos prontos com gente não tão pronta. Desenganado pelos doutores, enganou a morte anunciada, mudando de cara e de endereço, assumindo novas personalidades e integrando-se a outras famílias. Com todas as suas limitações e possibilidades (que todos temos e muitos não reconhecemos), o Teatro de Objetos segue em frente, em meio a todos os que caem, assumindo a sua fragilidade e revelando a nossa. Porque o Teatro não é somente aquilo que se tornou, mas tudo aquilo que pode ser.

O SOBREVENTO trouxe ao Brasil os principais nomes do Teatro de Objetos no mundo e tem explorado a linguagem na criação de seus espetáculos mais recentes - Bailarina (2010), São Manuel Bueno, Mártir (2013), Sala de Estar (2013), Eu Tenho uma História (2014), Só (2015) e Terra (2016) - os dois últimos estão em cartaz, com entrada franca, no Espaço Sobrevento, até 18 de dezembro. Em 2017, o grupo estreará mais um fruto de sua pesquisa, gerado em parceria com Katy Deville, Christian Carrignon e Roland Shön, artistas de grande destaque, fundadores e transformadores do Teatro de Objetos, que virão ao Brasil para colaborar com o SOBREVENTO.

Com 180 minutos de duração, direcionada a adultos, a oficina apresenta princípios básicos desta linguagem, que pode ir tão longe quanto você for capaz de imaginar. A atividade é parte da Mostra de Formas Animadas realizada desde 15 de novembro, pelo Itaú Cultural. Acesse a programação.