SÓ EM CARTAZ NO RIO

Espetáculo comemora 30 anos do Sobrevento, reconhecido dentro e fora do Brasil por sua trajetória múltipla no Teatro de Animação, tanto na criação de espetáculos como na realização de festivais e fomento ao gênero. O Teatro de Objetos conduz a narrativa que tem composições originais de Arrigo Barnabé e colaboradores estrangeiros em seu processo de montagem

Divisor de águas na pesquisa de linguagem do teatro de animação, criador de festivais e ponto de referência nesta arte, dentro e fora do Brasil, o Grupo Sobrevento – fundado no Rio e radicado em São Paulo – comemora 30 anos de trabalho apresentando no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio, seu novo espetáculo. "Só" fica em cartaz de sexta a domingo, às 19h30, até 29 de maio. O Centro Cultural Banco do Brasil fica na Rua Primeiro de Março, 66 - Centro – 2º Andar || Telefone para informações: (21) 3808-2020. O espetáculo parte do pouco conhecido gênero Teatro de Objetos para tratar da solidão como tema.

Cinco personagens, interpretados pelos atores Sandra Vargas, Maurício Santana, Sueli Andrade, Daniel Viana e Liana Yuri, transformam objetos como baldes, cadeiras em miniatura, pequenos aviões e muito mais em elementos poéticos e metafóricos. “Os cinco personagens, mais que cinco vidas, são cinco caminhos que terminam por encontrar-se, nas suas solidões”, define o autor e diretor Luiz André Cherubini.

Esta é a primeira apresentação de Só fora da cidade de São Paulo, registre-se. A temporada no Rio vai até 29 de maio, de sexta a domingo, às 19h30. Além das apresentações, o Sobrevento realiza uma oficina de Teatro de Objetos - nos dias 14 e 15 de maio, das 9h às 13h - e um bate-papo, no dia 16 de maio, às 19h, que terá a participação de Valmor Nini Beltrame, professor e pesquisador no Programa de Pós-graduação (Mestrado e Doutorado em Teatro) na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). As atividades paralelas acontecem no Espaço PeQuod, que fica na Rua da Lapa, 242. Este projeto foi contemplado com o PRÊMIO FUNARTE DE TEATRO MYRIAM MUNIZ/2015.

Ao longo destas três décadas, o Grupo Sobrevento transferiu-se do Rio para São Paulo em função da quantidade de atividades que a cidade proporcionava. Lá, fundou o Espaço Sobrevento, única sala da cidade dedicada especialmente ao Teatro de Animação. Num retrato 3x4 do Sobrevento, é possível dizer que trata-se de um dos grupos teatrais mais destacados e atuantes do país. Desde sua fundação, em 1986, realizou mais de 6 mil apresentações – “Que é como se tivéssemos subido ao palco mais do que dia sim, dia não, por 30 anos”, diz o diretor –, visitou em torno de 200 cidades do Brasil, outras 40 da Espanha e esteve em diversos países de quatro continentes, representando o Brasil em lugares tão distantes quanto Irã e Estônia, e outros tão próximos como Argentina, Chile e Colômbia. “Criamos mais de 20 espetáculos. Mantemos 15 em repertório. Aqui no Rio ajudamos a criar o I Festival Rio Cena Contemporânea, além de termos realizado muitos festivais internacionais de teatro de bonecos e de animação, e dirigimos o Teatro de Fantoches e Marionetes Carlos Werneck, do Aterro do Flamengo. O Sobrevento esteve à frente ainda da coordenação de Teatro de Animação da Prefeitura do Rio de Janeiro”. Atualmente, Sandra Vargas, também atriz e fundadora do Sobrevento, é curadora do FITO - Festival Internacional de Teatro de Objetos, criado em 2009.

Só é fruto de um intercâmbio internacional com duas referências mundiais do Teatro de Objetos: a artista belga Agnés Limbos, diretora da Companhia Gare Central, um dos nomes mais importantes do Teatro de Objetos no mundo, e Antonio Catalano, um dos maiores atores da Itália, artista plástico premiado na Bienal de Veneza e fundador da Casa Degli Alfieri. O músico brasileiro Arrigo Barnabé, autor da trilha sonora original, soma-se à equipe oferecendo texturas no mínimo diferenciadas, enquanto a iluminação cabe ao premiado Renato Machado, colaborador e integrante do Sobrevento desde sua fundação.

Só estreou em julho de 2015, no Itaú Cultural, na cidade de São Paulo, e ficou em cartaz no Espaço Sobrevento, até setembro. Além de críticas elogiosas, o espetáculo recebeu indicação ao Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), como Melhor Espetáculo, e indicações ao Prêmio Aplauso Brasil, como Melhor Espetáculo e Melhor Trilha Sonora Original.

A pesquisa partiu do livro “O Desaparecido ou Amerika”, romance inacabado de Franz Kafka, escrito entre 1912 e 1914. Trata das desventuras de um rapaz alemão expulso de casa pelos pais, depois de ter engravidado a empregada. No entanto, o Sobrevento percebeu que as palavras não davam conta da narrativa e por isto não tentou encenar o texto de Kafka, mas a partir dele iluminar e desenvolver a questão da desumanização nas grandes cidades e no mundo moderno. “Embora as palavras de Kafka não estejam em cena, a atmosfera de sua obra terminou por impregnar o espetáculo. E para criar esta realidade particular, o Sobrevento uniu-se a artistas reconhecidos pelo desejo de criar novos mundos”, explica Sandra Vargas.

Levando à cena abordagens sobre o desajuste, a necessidade de se relacionar que parece cada vez mais árdua num mundo cada vez mais populoso, cada vez mais conectado e menos humano, Só tem na trilha sonora do compositor Arrigo Barnabé – de quase duas horas – a partitura que quebra o silêncio e a ausência de diálogos. O figurinista João Pimenta, colaborador do Sobrevento desde 2013, criou figurinos impactantes. Mais que cobrir as personagens, propôs revelá-las por meio de elementos que utilizou na confecção das roupas.

Só é uma encenação envolvente, com uma atmosfera onírica construída a partir de imagens soltas, efeito obtido graças à pouca distância entre o espectador e a cena e à primorosa iluminação de Renato Machado. Com ela, os detalhes ganharam força. Não há uma sequência cronológica a orientar a narrativa. A luz propicia também a troca de cenários, sem o previsível black out, e o efeito de mixagem visual de algumas cenas: com uma cena ainda iluminada, outra começa a se insinuar, transferindo o foco de atenção do espectador e propondo novos significados. Um cenário vai dando lugar a outro e o espaço vai se transformando no decorrer da apresentação, mas cada cena deixa um "rastro": um objeto que fica, suspenso ou abandonado pelo chão, para compor uma instalação final, que pode ser visitada pelo espectador como uma exposição, um “museu da solidão”.

Com a colaboração de artistas de peso, o Sobrevento pôde chegar a um espetáculo maduro, digno de comemorar uma trajetória ininterrupta de 30 anos de trabalho, dedicado à pesquisa do Teatro de Animação para adultos. Só traz um novo olhar para o Teatro de Objetos.



O ANJO E A PRINCESA NO CIRCUITO MUNICIPAL DE CULTURA

De 18 de maio a 25 de junho, a Prefeitura da Cidade de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Cultura, promove apresentações do espetáculo O ANJO E A PRINCESA em bibliotecas e casas de cultura da cidade de São Paulo, como parte do Circuito Municipal de Cultura. Confira a programação:

18/05/2016 (quarta), às 14h - Biblioteca Mário Schenberg - Rua Catão, 611 - Lapa

26/05/2016 (quinta), às 14h - Casa de Cultura Itaim Paulista - Rua Barão de Alagoas, 340, Itaim Paulista

03/06/2016 (sexta), às 10h - Casa de Cultura de São Mateus - Rua José Francisco dos Santos, 502 - Jardim Tiete

11/06/2016 (sábado), às 11h - Biblioteca Narbal Fontes - Rua Conselheiro Moreira de Barros, 170 - Santana

24/06/2016 (sexta), às 11h - Casa de Cultura de São Miguel Paulista - Rua Irineu Bonardi, 169 - Vila Pedroso

25/06/2016 (sábado), às 11h - Biblioteca Belmonte - Rua Paulo Eiró, 525 - Santo Amaro

A peça narra a primeira experiência de um anjo-da-guarda e trata de suas desventuras ao tomar conta de uma princesa, a quem lhe cabe proteger. Vaidosa, a princesa manda cortar todas as flores de um bosque de pessegueiros para decorar os salões de seu castelo para uma grande festa. Somente depois de um ano de tristeza e arrependimento, na primavera, voltam a nascer as flores. O anjo-da-guarda que ampara a princesa, mostra-se, na peça, somente como um observador e deixa a cargo da própria vida, de seu curso natural, os milagres que deveria fazer.



BAILARINA EM LONDRINA

No dia 24 de maio, o SOBREVENTO apresenta BAILARINA, espetáculo para bebês, na Casa de Cultura da UEL - Divisão Artes Cênicas (Av. Celso Garcia Cid, 205). As apresentações acontecem às 10h30 e às 16h e integram a programação do "Engatinhando - mostra de arte desde bebê", realizada pela Cia. Papo Corpóreo. Os ingressos serão distribuídos 30 minutos antes de cada sessão. A mostra acontece de 22 a 28 de maio, com entrada franca.

BAILARINA é um espetáculo muito íntimo e delicado, com a comunicação com o público dando-se pelo uso de silêncios, ações físicas, utilização de objetos, valorização das mínimas ações, que, na relação com a primeira infância, tomaram uma dimensão muito maior. Criado a partir de um texto inédito escrito pelo próprio GRUPO SOBREVENTO, a partir da investigação do tema, o espetáculo terminou por estabelecer uma relação próxima, de aparente fragilidade e extremamente poética e simbólica com o público.