A Casa que Espera
Voltada para crianças de zero a seis anos, e seus familiares, A CASA QUE ESPERA
revela o que levamos conosco ao longo da vida e o que é preciso deixar partir. Em cena,
um pai, uma mãe, uma tartaruga, chás, jardins e malas de lembranças compõem um
espetáculo que fala de amor, paternidade e partidas.
O espetáculo tem como mote a saudade da infância, a sensação de sermos filhos e do
cuidado recebido dos pais quando pequenos. A encenação nasce da imagem poética da
casa que deixamos para trás ao crescer, mas que continuamos carregando no imaginário
— mesmo quando já construímos nossa própria casa e também precisamos, como nossos
pais, aceitar a partida dos filhos.
A peça acompanha a jornada de um homem e de uma mulher lidando com a necessária
partida da casa dos pais, em busca de construir uma casa e uma paternidade que verá
novas partidas, a partir do crescimento e da independência dos filhos. Nesse processo,
esses personagens revisitam as suas infâncias e memórias em busca da casa que um dia
foi deles e tentam compreender o que será de sua nova casa.
Valendo-se da linguagem do Teatro de Objetos, da qual o Sobrevento é referência, A
CASA QUE ESPERA, com poesia e delicadeza, utiliza objetos simples, como bules,
xícaras, pratos e um pezinho de hortelã, para recuperar as memórias dos cuidados
recebidos, dos gestos cotidianos e vínculos afetivos que nos formam como pessoas. O
espetáculo foi realizado por meio do EDITAL FOMENTO CULTSP – PNAB Nº
32/2024, do Ministério da Cultura e Governo do Estado de São Paulo - Secretaria da
Cultura Economia e Indústria Criativas. Estreou em novembro de 2025 no Espaço
Sobrevento, onde ficou em cartaz até dezembro. Em 2026, cumpriu temporada no Sesc
Consolação.
A ENCENAÇÃO
Na montagem, cenas como o chá preparado pelo pai, o jardim cuidado pela mãe e até a
tartaruga que, um dia, partiu levando a sua casinha nas costas, costuram a reflexão sobre
os ciclos da vida: nascer, crescer, partir, permanecer e, principalmente, deixar partir.
Os personagens carregam uma pequena mala com objetos que remetem aos fragmentos
das memórias. Dessa forma, eles podem construir uma nova casa, um novo lugar de
acolhimento, incorporando elementos do passado que foram importantes.
O espetáculo contou com uma equipe de criação de alto nível. A trilha sonora original,
executada ao vivo, é assinada por William Guedes (vencedor de três Prêmios Shell), os
figurinos por João Pimenta (vencedor dos prêmios Shell e Cesgranrio) e a iluminação por
Renato Machado (vencedor dos prêmios Shell, Cesgranrio e Coca-Cola).
O TEATRO PARA BEBÊS
Há 15 anos, o Sobrevento busca oferecer a um público historicamente excluído do meio
cultural o acesso a um trabalho de alto nível artístico, assegurado pela sua irretocável
carreira de 4 décadas. A pesquisa resultou em espetáculos de grande profundidade
poética, amplamente reconhecidos pela crítica especializada, por programadores do
Brasil e da Europa e pelo público, que invariavelmente lota as sessões. Há poucos lugares
dedicados aos bebês e, em muitas situações, adultos se incomodam com eles. O
Sobrevento busca construir um espaço poético no qual todos estejam livres para sentir,
explorar o ambiente, acessar suas memórias e se emocionar.
O TEATRO DE OBJETOS
O Teatro de Objetos nasce do meio do Teatro de Bonecos e de Formas Animadas.
Buscando alcançar uma poética que está além dos limites do Teatro de Bonecos, busca
aproximar palco e plateia, ator e espectador. O Sobrevento vem centrando sua atenção no
Teatro de Objetos, criando novas abordagens e rumos para esta linguagem teatral, a ponto
de ter integrado, em 2017, a programação “O que é o Teatro de Objetos hoje?”, no maior
Festival de Marionetes do mundo, na França, sob curadoria de Agnès Limbos, uma das
mais renomadas artistas do gênero. Em 2025, voltou à Europa para intercâmbios com
Katy Devile - precursora do Movimento de Teatro de Objetos no final dos anos 1970 -,
Christian Carrignon - outro precursor do Teatro de Objetos e um dos seus grandes teóricos
-, Paola Serafini e Luì Angelini - do Teatro delle Cose - e o multiartista Antonio Catalano,
outro destaque do Teatro de Objetos mundial.